Barrabravas ensinam violência a colombianos e mexicanos

As torcidas organizadas do futebol argentino, conhecidas como ´barrabravas´, estão, literalmente, fazendo escola: dão aulas sobre seus métodos de violência aos torcedores de equipes colombianas e mexicanas.Segundo denúncia feita na edição desta quarta-feira do jornal esportivo Olé, que cita fontes do governo argentino e da Polícia Federal, as torcidas dão aulas de violência e cobram em dólares por elas.Entre os métodos ensinados, estão como extorquir dirigentes e jogadores, obter lucro com a revenda de ingressos e cobrar pedágio aos vendedores nos arredores dos estádios. "No ano passado houve um congresso sobre violência no futebol em Pachuca e outro em Cali. Foi quando soubemos da problemática e as autoridades de segurança desses países nos colocaram a par do que estava acontecendo", afirmaram as fontes do jornal."Vimos fotos de um jogo na Colômbia onde havia argentinos com camisas do Chacarita, Boca Juniors e River Plate misturados com os integrantes da organizada, dando ordens e explicando logística de campo", completaram.Em entrevista concedida a um canal de televisão de Buenos Aires em 2006, Rafael Di Zeo, considerado chefe de uma torcida organizada do Boca Juniors, disse que assessorava grupos de outros países. "Para as organizadas de todo o mundo, a torcida do Boca é Harvard. Todos vêm aqui para aprender", afirmou.Os "alunos mais aplicados" são os torcedores de Pumas, Tigres e América, todos do México, e das equipes de Cali (Deportivo e América) na Colômbia. "O chefe da torcida do Pumas, cujo apelido é ´Nariz´, esteve duas vezes em Buenos Aires hospedado no Hotel Intercontinental e aprendendo com a torcida do Boca", assegurou Zeo.Os incidentes violentos no futebol da Argentina aumentaram consideravelmente em 2006. No último domingo, novos incidentes ocorreram no Estádio Monumental de Nuñez, do River Plate, onde muitas pessoas ficaram feridas com armas brancas e de fogo durante uma briga entre torcedores do Lanús e do River.Segundo as autoridades locais, o estádio será fechado por pelo menos cinco jogos. Apesar de o clube ter anunciado que investigaria o fato, denúncias apontam que a diretoria protege os grupos violentos. O presidente do River, José María Aguilar, não falou à imprensa, pois passa férias na cidade uruguaia de Punta del Este.

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