Basílio garante: coloquei pimenta no jogo

Aos 43 minutos do primeiro tempo, um coro da torcida dominava a Vila Belmiro. "Basílio", "Basílio", "Basílio." O Santos perdia por 2 a 0. Os gritos eram dirigidos a Leão. O treinador, que tentara montar o seu time da maneira mais equilibrada possível, cedeu. Tinha de apostar na mudança de fórmula e colocar o veterano atacante. Ao final da partida, Leão teria de pagar uma premiação aos seus conselheiros de arquibancada. "Eu coloquei pimenta no jogo. O São Caetano estava controlando a partida. A minha velocidade ajudou a acabar com o esquema defensivo que eles haviam montado. Tratei de correr e perturbar ao máximo os zagueiros. Deu mais do que certo. Fiz o meu gol, chutei no gol do Robinho e até gol contra eles fizeram", comemorava Basílio.Após a partida, Leão teve de dar dezenas de explicações sobre o porquê de não haver escalado Basílio desde o início da partida. Fiel ao seu estilo que mistura confiança com prepotência, o técnico falou de maneira simbólica: "Estava chovendo e eu tive de esperar. É preciso ser inteligente na hora de colocar fogo em uma partida. A palha tem de estar seca para pegar o fogo. Mas eu só queria lembrar a vocês (repórteres) que quando nós contratamos o Basílio ele foi chamado de refugo e bonde velho. Eu sempre soube a importância que ele teria para o Santos", afirmava, irritado.O recado era dado à imprensa santista que não se conformou quando Basílio foi anunciado como reforço do time no início do ano. O jogador de 31 anos não tentou nem um minuto aproveitar um momento raro na sua vida: ser o centro das atenções. Não pediu lugar como titular. Pelo contrário, agradeceu por ser reserva no Santos. "Quando fui contratado sabia que seria reserva. Ganhar a posição do Robinho é impossível. Eu estou contente demais em ser uma opção do Leão. Eu até estou jogando bem mais do que esperava", confidenciava, humilde.Entre os jogadores, Basílio é tratado de maneira peculiar. Os seus companheiros, principalmente Robinho, costumam atormentá-lo por causa da sua calvície e idade. "Ele é o nosso avô. Além de jogar bem, esse sim pode nos dar conselho porque já viveu muito. Corre, mas está velhinho...", provoca Robinho. Basílio só ri sem graça das provocações.Basílio se considera um privilegiado coadjuvante. Passou muito tempo em times médios com dificuldades financeiras: Marília, Ituano, Olímpia. Teve destaque no Coritiba e no Palmeiras. Havia disputado a série B de 2003 pelo Marília. Se comportou como se tivesse ganho na loteria ao ser contratado pelo Santos. Sentia que não teria chance de jogar em equipes grandes.A maneira de agir na Vila Belmiro denuncia que sente estar em dívida por pisar no mesmo gramado de Robinho e Diego. "Eu estou feliz da vida em jogar no Santos. Não tem problema em começar na reserva, no banco, A sensação de poder ajudar, de ser útil ao Santos é excelente. Ser mais um aqui é maravilhoso. Não sou estrela. Estrela são os outros", assegura. "Mas vou colocando a minha pimentinha sempre que puder", resumia, o feliz coadjuvante.

Agencia Estado,

28 de março de 2004 | 20h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.