Batalhas judiciais deterioram torneio

O futebol se decide no campo? Na teoria, a resposta óbvia e imediata é sim. Na prática, nem sempre, quando se trata de Campeonato Brasileiro. A competição tem apresentado, nos últimos anos, as rodadas mais decisivas em salas de tribunais e em salões de hotéis. Nas primeiras, advogados jogam por seus clubes mais até do que os atletas. Nos segundos, os dirigentes tratam de costurar remendos em tabelas e regulamentos, para adaptá-los a sentenças judiciais. Um dos episódios marcantes da história do Brasileiro ocorreu em 1987, quando 13 dos clubes mais poderosos do País resolveram dar um basta aos desmandos da CBF. Na época, o movimento foi saudado como início de nova era no futebol. Surgiu a Copa União, que não terminou bem. Os ?rebeldes? havia concordado fazer quadrangular final entre seus dois finalistas com os dois do torneio organizado pela CBF. Com isso, Flamengo e Inter decidiriam o título com Sport e Guarani. No momento dos cruzamentos, o Grupo dos 13 roeu a corda e ignorou o acerto. A CBF declarou Sport como campeão. Mais constrangedora foi a situação criada em 1996, quando Fluminense e Bragantino caíram para a Série B. Meses depois, arrumou-se escândalo que teve, como conseqüência, a permanência dos dois no grupo de elite. O Flu voltou a cair, em 97 (Série B), e em 98 (Série C). Em 99, o Flu ganhou a Terceira Divisão, mas em 2000 estava de volta à Primeira, batizada de Copa João Havelange. O campeonato teve esse nome, e não foi patrocinado pela CBF, para driblar decisão da Justiça, que mantinha o Gama na Primeira Divisão, depois de ter sido rebaixado por manobra que salvou o Botafogo-RJ. Agora, com as pendengas jurídicas de Caxias, Figueirense, Santa Cruz, Botafogo-SP, é melhor o torcedor se precaver. Em vez de ler regulamento do torneio, deve comprar manuais de Direito. Só assim poderá entender, superficialmente, a Série A do futebol pentacampeão do mundo.

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