Bate-boca faz CPI adiar relatório

Manobras regimentais e bate-bocas marcaram a reunião da CPI da CBF/Nike, convocada para discussão do relatório final dos nove meses de trabalho. O presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), usou, pela primeira vez, do poder do Regimento Interno, para suspender os debates da CPI, alegando que já estava em curso, no plenário da Câmara, a Ordem do Dia. Em votação, estava um projeto de lei, tratando da Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia Elétrica. "É a primeira vez que os trabalhos desta CPI são suspensos por causa da Ordem do Dia," protestou o deputado José Lourenço (PMDB-BA), assumidamente porta-voz da ?bancada da bola?. "Se for bola para a bola de futebol, eu sou dessa bancada, mas se for bola que quer dizer quem recebe por fora, isso eu não aceito", protestou Lourenço, que é autor de requerimento prorrogando os trabalhos da CPI por mais 15 dias. Alheio ao bate-boca de Rebelo com Lourenço, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) foi o primeiro a argumentar contra o relatório do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), para quem "tem se mostrado ignorante da legislação." Perondi lembrou que a atual situação jurídica da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) permite à entidade fazer doações para campanhas eleitorais. O relatório de Torres pede a apuração de responsabilidades pelas doações eleitorais que a CBF fez a vários políticos, entre eles, o próprio Perondi; os deputados Carlos Santana (PT-RJ), Delfim Neto (PPB-SP), Eurico Miranda (PPB-RJ), além dos senadores do PFL José Agripino Maia (RN) e Hugo Napoleão (PI). Silvio Torres também pede o indiciamento do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ?suspeito de haver infringido a lei em casos de "sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas". "Nós temos de retirar esses indiciamentos", disse outro parlamentar da bancada da bola, o deputado José Rocha (PFL-BA). "Se o relatório não for aprovado eu vou levá-lo ao Ministério Público para que seja instaurado inquérito contra as pessoas nele citado", anunciou Silvio Torres. Estratégias - As estratégias para amanhã já estão definidas. De um lado, estão os parlamentares que são contrários ao relatório de Torres. Eles devem apresentar um relatório substitutivo para a hipótese de rejeição do relatório de Silvio Torres, isentando de indiciamento os dirigentes das federações e também Ricardo Teixeira. Silvio Torres, por outro lado, garante que não vai deixar que mutilem o seu relatório. "Qualquer mudança terá de ser feita sem que se prejudiquem os rumos das investigações que apontaram irregularidades na CBF e nas federações", lembrou.Garantindo o mesmo número de deputados que conseguiu levar hoje ao plenário, a bancada da bola sairá vitoriosa nesta quarta-feira.

Agencia Estado,

12 de junho de 2001 | 21h04

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