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Bateu na trave

Dorival Júnior começou 2016 disposto a aumentar a posse de bola do Santos. Com Renato e Lucas Lima no comando das ações, mas sem Geuvânio e Marquinhos Gabriel, o treinador passou a trabalhar por mais controle e organização no meio de campo.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2016 | 03h00

Surgiu, então, uma equipe mais paciente, disposta a fazer a bola circular até encontrar o momento certo para acionar Ricardo Oliveira. O resultado foi positivo, levou o Santos a mais uma final, mas desta vez contra um clube pequeno que pensa grande.

Havia na decisão do Paulistinha, porém, uma questão pendente. Qual seria o comportamento da equipe santista diante de um adversário que tem a posse de bola como base de seu modelo de jogo?

No primeiro confronto, em Osasco, a marcação não subiu para atacar a saída de bola do Audax. Dorival preferiu esperar, sabia que estava diante de uma final delicada.

Com a obrigação de vencer o duelo do grande favorito contra o pequeno abusado, mais uma vez o Santos não pressionou, preferiu aguardar no meio de campo. Sem a bola, adotou o 4-4-2, com Ricardo Oliveira e Lucas Lima à espera das bolas recuperadas pelos companheiros.

O Audax saiu para o jogo, bem distribuído no campo santista e utilizando o sistema 3-4-3. E com muita posse de bola, do primeiro ao último minuto. As reformas de Fernando Diniz criaram boas duplas pelos lados, principalmente no primeiro tempo. Tchê Tchê e Mike no direito, Bruno Paulo e Juninho no esquerdo.

Diferentemente do primeiro encontro, o Santos preocupou-se mais com o retorno de Gabriel e Vitor Bueno à marcação. Era preciso dar apoio a Renato e Thiago Maia. O problema era quanto tempo o tornozelo de Lucas Lima aguentaria. Foram apenas 25 minutos em campo, numa partida que exigia mais do que uma figuração.

A posse de bola do Audax foi de 67%. O número mostra que, desta vez, o grande se viu obrigado a reformular seu jogo para enfrentar o pequeno. O Santos, em Osasco e na Vila Belmiro, praticou um futebol de espera, teve dificuldade de propor o jogo, preferiu reagir, atacou os espaços deixados pelos três zagueiros que a qualquer momento poderiam ser vencidos no contra-ataque.

E assim chegou ao gol do título, aos 44 minutos do primeiro tempo, com Ricardo Oliveira. Dorival Júnior mudou para vencer, Fernando Diniz não mudou porque acreditava que venceria mantendo seu estilo. Não faltaram oportunidades para os dois lados, mas deu a lógica, a do grande contra o pequeno.

Não houve erro na postura do time de Diniz. O futebol nos leva a acreditar que equipes de baixo investimento e sem tradição devem jogar retrancadas, que não existem outras opções.

O gol santista não pode ser usado para reforçar essa tese, que se o Audax tivesse ficado em sua toca não teria levado o contra-ataque... O medo não é solução, o medo é o que empobrece nosso futebol, carente de ousadia e de organização. 

São apenas teorias, a realidade é um enorme e saudável espaço para o debate sobre estilos e propostas de jogo que o Estadual nos apresenta. A partir de sábado, finalmente, começa o Campeonato Brasileiro, muito mais complexo e exigente, sem mata-mata, um prêmio para a regularidade dos times.

Este Audax provavelmente termina aqui, mas o Santos continua, e necessita melhorar tecnicamente o grupo de jogadores. Principalmente porque terá um bom pacote de rodadas sem Lucas Lima, Gabriel e Ricardo Oliveira, emprestados à seleção para a Copa América. Curioso é ver o presidente Modesto Roma reclamar da CBF. Justo ele, tão afinado com a entidade!

 

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