BBC acusa Ricardo Teixeira de aceitar suborno

Um programa da BBC a ser levado ao ar na segunda-feira, a três dias da escolha das sedes da Copa de 2018 e 2022, acusa três executivos da Fifa - inclusive o brasileiro Ricardo Teixeira - de terem aceitado subornos.

MIKE COLLETT, REUTERS

29 de novembro de 2010 | 18h32

O programa "Panorama" também acusa outro executivo da entidade de ter tentado cometer irregularidades na venda de ingressos para a Copa de 2010, e faz novas revelações sobre a contratação da empresa ISL, que faliu em 2001, para comandar o marketing do futebol mundial.

A BBC disse que Ricardo Teixeira, presidente da CBF; Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol; e Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana, aceitaram subornos da ISL para conceder esse lucrativo contrato à empresa.

O trio atualmente participa do comitê-executivo da Fifa, que decidirá na quinta-feira quais países receberão as Copas de 2018 e 2022.

Os três negam as acusações, mas nem eles nem a Fifa estavam disponíveis na segunda-feira para comentar as novas acusações, que se baseiam no que a BBC disse ser um documento da ISL com detalhes sobre 175 pagamentos secretos realizados de 1989 a 1999.

Suspeitas semelhantes já haviam sido levantadas num livro de autoria do apresentador do programa de segunda-feira, o repórter investigativo britânico Andrew Jennings.

Em nota divulgada na segunda-feira pela BBC, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que nenhum funcionário da entidade foi acusado de qualquer crime durante as investigações policiais e judiciais de 2008 na Suíça sobre a falência da ISL.

Blatter recentemente criticou jornalistas britânicos por armarem uma cilada que expôs evidências de corrupção na escolha das sedes das futuras Copas, o que levou à suspensão de dois membros do comitê-executivo.

De acordo com o "Panorama", Jack Warner, vice-presidente do Comitê Executivo, oriundo de Trinidad e Tobago, tentou violar as regras da Fifa relativas à venda de ingressos para a Copa de 2010, "mas o negócio deu errado".

Andy Anson, chefe da candidatura inglesa à Copa de 2018, disse na segunda-feira que as novas revelações feitas pela emissora pública britânica podem reduzir ainda mais as chances de sucesso dessa candidatura.

"Claro que estou frustrado com o momento, e certamente não vai nos conquistar nenhum voto", afirmou. "Temos de esperar para ver o que acontece hoje à noite e seguir em frente. Não vou assistir, tenho mais o que fazer."

A Inglaterra, que já foi sede da Copa em 1966, concorre contra Rússia, Espanha/Portugal e Holanda/Bélgica para realizar o torneio em 2018.

O anúncio das Copas de 2018 e 2022 será feito na quinta-feira na sede da Fifa, na Suíça.

Tudo o que sabemos sobre:
FUTTEIXEIRABBC*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.