Beira-Rio celebra a própria história e a do Inter na reinauguração

Estádio já teve dois jogos após a reforma, mas cerimônia oficial ocorre exatos 45 anos depois do primeiro jogo

Almir Leite e Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2014 | 17h00

PORTO ALEGRE - Depois de um ano e quatro meses fechado para uma reforma marcada por contratempos como a dificuldade para obter o financiamento das obras e por algumas ameaças de tirar o estádio da Copa do Mundo, o Beira-Rio vai ser reinaugurado oficialmente neste domingo, numa data bastante importante para a centenária história de seu dono, o Internacional: há exatos 45 anos, o velho Beira-Rio abria as portas. O tempo passou, o Gigante encolheu, mas ressurge bonito e moderno.

Naquele 6 de abril de 1969, o adversário do Inter foi o Benfica, vencido por 2 a 1. Hoje, o jogo será contra o Peñarol. Mas o time uruguaio está ligado à história do Beira-Rio, pois participou do "festival de inauguração’’ do estádio, composto por quatro partidas. Entrou em campo na terceira delas e levou de 4 a 0, em 13 de abril. O festival que acabaria em 20 de abril de 1969, com um Gre-Nal que ficou 0 a 0, teve ainda um Brasil 2 x 1 Peru, em 9 de abril.

A importância da data fez o Internacional marcar para este domingo a reinauguração, apesar de o estádio ter recebido duas partidas em fevereiro. O Colorado enfrentou Caxias e Pelotas. Foram jogos com capacidade reduzida de público (9.958 e 7.541 pagantes, respectivamente).

"O Beira-Rio é um novo corpo para a mesma alma",define o presidente da comissão de obras do estádio, Maximiliano Carlomagno. Sendo assim, o corpo, que já recebeu 106 mil pessoas para ver o empate por 3 a 3 entre a seleção brasileira e a seleção gaúcha em 1972, ganhou contornos novos e vai oferecer muito mais conforto em seus 50 mil lugares.

Na nova configuração, todos os espectadores assistirão os jogos sentados em cadeiras, estarão mais próximos do gramado e protegidos da chuva pela cobertura instalada no estádio. Passada a Copa, a capacidade pode aumentar um pouco, para 56 mil pessoas, com a liberação de uma área para aficionados que queiram ficar em pé.

As áreas internas também ganharam 55 skybox, - espaços VIPs climatizados e com possibilidade de decoração personalizada, com capacidade para 24 pessoas cada e 37 novos camarotes – além dos 33 que já havia – para grupos de 14 a 18 pessoas. As cabines e sala de imprensa foram ampliadas. O estádio terá ainda 44 lojas.

EMPURRÃO DE DILMA

A modernização do Beira-Rio tem custo estimado em R$ 330 milhões, um dos menores gastos em estádios que receberão jogos da Copa. Mesmo assim, o Internacional teve problemas para conseguir o dinheiro. Inicialmente, o clube quis fazer a obra com recursos próprios. Faltou dinheiro e aí começou a batalha.

O clube fez parceria com a Andrade Gutierrez, mas havia indefinição sobre as garantias para obter empréstimo junto ao BNDES. Até que a presidente Dilma Rousseff interferiu. Chamou o presidente da construtora e costurou o acordo pelo qual a empresa apresentaria as garantias. E convenceu o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), a fazer do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) o repassador do dinheiro.

Com isso, viabilizou-se a reforma do Beira-Rio, cujo programa de reinauguração, se não é tão longo quanto o de 1969 também não se resume ao jogo entre Inter e Peñarol. Um show com a banda Blitz no início e festa comandada pelo DJ inglês Fatboy Slim foram programados para a noite de ontem, além do espetáculo Os Protagonistas, recordando grandes glórias do Colorado.

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