Bélgica aposta em desgaste dos EUA para avançar

Americanos viajaram 14 mil quilômetros durante a primeira fase, sete vezes mais que a seleção europeia

Ciro Campos - Enviado especial a Mogi das Cruzes, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 05h00

O menor desgaste para chegar até as oitavas de final da Copa do Mundo é o trunfo da Bélgica para se dar bem contra os Estados Unidos, amanhã. Os dois adversários estão concentrados na Grande São Paulo e se enfrentam em Salvador após rodarem distâncias muito diferentes pelo Brasil ao longo da primeira fase, com desvantagem para os americanos, que percorreram um caminho cerca de sete vezes maior.

O cansaço e a primeira fase mais desgastantes podem pesar contra a equipe do técnico Jürgen Klinsmann. Nenhuma das 32 seleções viajou mais do que os Estados Unidos, que, de São Paulo, saiu para jogar em Natal, Manaus e Recife, em um total de mais de 14 mil quilômetros em trajetos aéreos.

Já a Bélgica se aproveitou dos 'atalhos' – foi a seleção que menos gastou em deslocamentos entre todas as participantes, ao sair de Mogi das Cruzes, onde está concentrada, para compromissos em sedes próximas – Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo – total de 1,9 mil km.

Para a partida das oitavas de final, ambas as equipes saem do aeroporto de Guarulhos em direção a Salvador, viagem de 1,4 mil km. Curiosamente, será o deslocamento mais curto já feito pelos norte-americanos nesta Copa e, ao mesmo tempo, o mais longo dos belgas.

"Vamos tentar usar o possível cansaço deles a nosso favor. O desgaste pela temporada europeia e pelos jogos da Copa tem sido decisivo para os resultados da competição. Por isso, alguns grandes já foram eliminados cedo no torneio", afirmou o técnico belga, Marc Wilmots.

Até mesmo a tabela da primeira fase foi muito mais favorável à equipe dele do que para os adversários de amanhã. Já classificado, o treinador poupou sete titulares na última rodada da primeira fase, na vitória sobre a Coreia do Sul, por 1 a 0.

Enquanto a Bélgica garantia 100% de aproveitamento no grupo H, os Estados Unidos penaram nos três jogos. A equipe ganhou nos minutos finais de Gana, levou um gol de Portugal no último minuto e enfrentou a Alemanha sob chuva pesada na Arena Pernambuco, em Recife.

"Quem se adaptou melhor ao clima ganhou os jogos. Para nossa sorte, a partida em Salvador será às 17h, não às 13h", disse Wilmots. A delegação embarcou para a capital baiana ontem à noite para tentar se ambientar ao clima quente, bastante diferente da temperatura mais amena encontrada na primeira fase.

Essa "estreia" no Nordeste é a grande preocupação dos belgas. "Os Estados Unidos jogaram em cidades mais quentes e, por mais que as viagens tenham sido longas, os jogadores já estão acostumados com o calor no país deles. Vamos precisar nos adaptar rapidamente a essa novidade", comentou o zagueiro Nicolas Lombaerts, favorito para novamente substituir o capitão Kompany, lesionado.

Esquema de viagens. Assim que terminou o sorteio dos grupos, a comissão técnica dos Estados Unidos viu os longos deslocamentos que teria de fazer na Copa do Mundo e elaborou uma programação para recuperar os jogadores o mais rápido possível após as partidas.

A equipe retorna para São Paulo em voos marcados para logo depois do fim dos jogos. Mesmo que o desembarque seja de madrugada, de manhã cedo o elenco tem de acordar e ir para o CT da Barra Funda – para fazer o trabalho regenerativo.

A comissão técnica definiu essa programação em janeiro, quando a seleção passou dez dias em São Paulo para um período de treinos. Auxiliares do técnico Klinsmann viajaram para as sedes onde a equipe jogaria para conhecer os estádios e verificar qual seria a forma mais eficaz de minimizar o desgaste entre as longas viagens durante a Copa do Mundo. 

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