Belletti credita convocação à disciplina

O técnico Emerson Leão justificou a convocação dos laterais-direitos Belletti, do São Paulo, e Anderson, do Grêmio, para o jogo contra o Equador com o argumento de que precisa "multiplicar os Cafus" à sua disposição. Essa é uma referência à excessiva dependência da seleção brasileira em relação ao lateral da Roma nos últimos anos. Ao ser questionado se o Brasil tem carência na posição, no entanto, Belletti abre um sorriso irônico e apressa-se em discordar.Na opinião do lateral do São Paulo, "Cafu é craque e seu futebol, incontestável, mas o Brasil tem muitos bons laterais direitos". Ele lembra que, além de Cafu, de si próprio e de Anderson, Leão também tem à disposição Zé Maria (ex-Portuguesa, atualmente Perugia, da Itália) e Evanilson (revelado no Cruzeiro e hoje Borussia Dortmund).Belletti nega que tenha criticado Leão por não tê-lo chamado para os amistosos contra os Estados Unidos e México. "O que eu disse na convocação anterior é que o treinador dava oportunidade em outras posições e não na lateral direita. O Cafu é tão bom que nem parece que tem tantos anos de seleção", afirma.Convocado pela primeira vez em 1995, quando jogava pelo Cruzeiro, o paranaense Juliano Haus Belletti, de 24 anos, teve de mudar de posição para ter chance na seleção brasileira. Na época, ele atuava no meio-de-campo, como volante, e foi chamado para amistosos contra Argentina e Colômbia. Há dois anos, durante sua passagem pelo Atlético Mineiro, por empréstimo, também atuou no meio-de-campo. O time foi vice-campeão brasileiro e ele, um dos destaques. No ano passado, já como lateral-direito, o jogador foi chamado para jogos contra Chile e Argentina, pelas Eliminatórias. Para os amistosos contra Estados Unidos e México, no início do mês, ele esperava ser lembrado, mas os convocados foram Cafu e Anderson.Além do bom momento que vive no time do São Paulo, do qual é o batedor oficial de pênaltis, o lateral credita sua convocação ao fato de estar mudando sua imagem ao tornar-se mais disciplinado. "Mudei minhas atitudes dentro de campo na hora certa e o resultado foi a convocação", disse. Ele reconhece que o excesso de suspensões por cartões amarelos e vermelhos o prejudicava. "Às vezes, o técnico não chama o jogador com medo que ele o deixe na mão num momento decisivo. A confiança no atleta é algo importante."

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