Belluzzo assume Palmeiras preocupado com finanças e futebol

'Temos de terminar o ano com uma situação financeira mais equilibrada', avisa o novo presidente do clube

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2009 | 10h08

Luiz Gonzaga Belluzzo já sabia das dificuldades que iria encontrar caso ganhasse as eleições para presidente do Palmeiras. Eleito na noite de segunda-feira com 145 votos a favor (Roberto Frizzo, da oposição, teve 123), o economista de 66 anos tem agora uma série de planos para melhorar a imagem do clube e, principalmente, para colocar as finanças em dia. Sabe, no entanto, que não conseguirá sanar as dívidas em curto prazo.Veja também: Palmeiras derrota Marília e continua 100% no Paulistão Lenny desabafa: 'Deu vontade de tudo, inclusive de chorar' Paulistão 2009 - Tabela e classificaçãoConfira as novidades do mercado do futebol Dê seu palpite no Bolão Vip do Limão "Temos de terminar o ano com uma situação financeira mais equilibrada. Vamos ter de caminhar com muita firmeza. Já aumentamos a receita no futebol, mas ainda é pouco", disse o novo presidente do Palmeiras, eleito para um mandato de dois anos, como sucessor de Affonso della Monica, que estava no cargo desde 2005.A oposição palmeirense afirma que as dívidas do clube chegam aos R$ 79 milhões. Mas Belluzzo lembra que parte desse número foi negociada com o governo federal por causa da Timemania e que a dívida bancária é de R$ 23 milhões. De qualquer maneira, ele reconhece que o valor ainda é muito alto. O novo presidente promete estudar a folha salarial do clube - no departamento de futebol e, principalmente, na área social. "Vou ser muito chato nesta parte. Vou fazer uma análise cuidadosa das despesas do clube para saber o que dá para segurar ou cortar", explicou Belluzzo, que espera também que diretores não tenham de colocar a mão no bolso para ajudar o Palmeiras. Na semana passada, foi revelado publicamente um cheque que o vice-presidente de futebol Gilberto Cipullo recebeu de um empresário, repassado pelo Palmeiras como pagamento por um empréstimo feito por ele ao clube. "Isso acontece e fomos socorridos pela generosidade dos diretores. Mas quero que isso seja regularizado e que não se repita, pois é ruim para a imagem do clube", avisou Belluzzo.A parceria com a Traffic deve ganhar novos laços. Como Belluzzo pretende investir pesado nas categorias de base, vai precisar de parceiros para melhorar a infraestrutura do CT de Guarulhos. "A Traffic vai nos ajudar", explicou o novo presidente. "Temos de dar força e recursos para que os diretores da base tenham condições de produzir boas equipes e jogadores. Vou ficar frustrado se não conseguir isso."FIM DAS BRIGAS? Ao sair de braços dados com Roberto Frizzo ao término da eleição, na noite de segunda-feira, Belluzzo mostrou o que pretende fazer de seu mandato: uma tentativa de conciliação entre situação e oposição no clube. "Temos de administrar os conflitos", declarou o novo presidente. "Essa já foi uma campanha civilizada, sem ofensas pessoais", comparou ele, lembrando da eleição passada, em que Della Monica venceu o mesmo Roberto Frizzo. "E isso já foi um ganho, que reparto com o Frizzo."Belluzzo lamentou apenas que sua chapa não tenha sido eleita por inteiro. Dos quatro vice-presidentes, três são da situação: Salvador Palaia, Clemente Pereira e Gilberto Cipullo. O quarto vice-presidente eleito é Edvaldo Frasson, da oposição, que venceu Ebem Gualtieri. "Apelei muitas vezes por voto na chapa fechada. O grupo não pode ser dividido e lamento o que aconteceu", falou.O novo presidente promete propor mudanças no estatuto do clube. E um dos itens será a votação na chapa, e não individual. "É para não acontecer esses constrangimentos. Fico aborrecido com isso", admitiu Belluzzo, que também pretende alterar a data da eleição presidencial, tirando de janeiro, quando atrapalharia a contratação de reforços para o time de futebol. TUDO IGUAL A mudança de presidente pouco vai mexer no departamento de futebol do Palmeiras. O planejamento segue o mesmo, o técnico Vanderlei Luxemburgo permanece no cargo e a diretoria ligada à área não deve ter muitas mudanças. "Pensamos em contratar um gerente para cuidar da parte administrativa para que o Toninho (Toninho Cecílio, gerente de futebol) possa ter tempo para pensar nas coisas de futebol e ver jogadores", disse Belluzzo, que espera melhores resultados e títulos em sua gestão. "Não podemos deixar o time oscilar tanto. Na década de 90 foi muito bem e depois declinou, não pode ser assim."O fanático torcedor e presidente já terá um difícil desafio nos seus primeiros dias de mandato: o confronto de quinta-feira contra o Real Potosí, da Bolívia, pelo jogo de ida da fase preliminar da Libertadores - a Conmebol alterou o horário, mudando o início da partida para as 20h30, no Palestra Itália. "Um time como o Palmeiras não pode ser eliminado pelo Potosí", afirmou Belluzzo.REFORÇOS Gilberto Cipullo, eleito como terceiro vice-presidente do Palmeiras, comemorou a vitória da situação e a entrada de Belluzzo na presidência. "Agora é continuar o trabalho com mais apetite, calma e tranquilidade", falou o homem forte do futebol palmeirense. "Uma derrota agora pararia todo esse processo de trabalho.Cipullo e Belluzzo afirmam que o Palmeiras ainda deve contratar mais três reforços neste primeiro semestre: um volante, um atacante e um lateral-direito. O atacante Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk (Ucrânia), é quem está mais perto de fechar. "E se o Maldonado (volante chileno do Fenerbahçe, da Turquia) vier será ótimo", disse o novo presidente. "Mas não posso prometer nada."

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