Divulgação/Benfica
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Benfica faz revolução financeira para atender Jorge Jesus e investir R$ 370 milhões

Clube português movimenta o mercado e investe em contratações mais do que o triplo que todos os demais times do país

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 08h00

A atual janela de transferências do futebol europeu tem como uma das sensações o Benfica, de Portugal. O time comandado agora pelo técnico Jorge Jesus é o oitavo clube do continente que mais investiu em contratações neste período e sozinho gastou mais do que o triplo dos demais times portugueses em reforços. Até agora foram aplicados R$ 370 milhões para trazer seis atletas, entre eles os brasileiros Pedrinho, Everton Cebolinha e Gilberto.

O Benfica deve ir até mais além. O clube já acenou com outras tentativas para fazer com que esta janela seja a de maior investimento na história da equipe. A pedido de Jesus, a diretoria chegou a abrir negociações com o uruguaio Edinson Cavani e sondou o Palmeiras para pagar R$ 117 milhões pelo volante Patrick de Paula. O ex-técnico do Flamengo até mesmo sugeriu nomes de antigos comandados: Gerson e Bruno Henrique.

Os recursos para todas essas negociações vieram após a diretoria do clube tomar uma decisão arriscada. Segundo o Jornal de Negócios, entre junho e julho o Benfica se financiou via emissão de títulos de sua dívida na Bolsa de Valores. A ideia foi um sucesso. A procura superou a oferta e em vez de arrecadar o equivalente a R$ 330 milhões, como era esperado, a equipe conseguiu cerca de R$ 460 milhões. Após descontos com comissões, impostos e consultoria, restou para o Benfica ter à disposição R$ 320 milhões.

"Tivemos um ato de coragem. Mas a resposta logo no primeiro dia permitiu-nos confirmar que os investidores mantinham a confiança", disse o diretor executivo do clube, Domingos Soares de Oliveira, sobre a decisão financeira. Segundo os balanços do Benfica, a equipe tem conseguido diminuir as dívidas de forma drástica. Em junho de 2019 as pendências somavam R$ 853 milhões. Seis meses depois, eram de R$ 297 milhões. A redução foi de 65%.

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Vim para o Benfica porque acredito em um projeto, porque acredito que essa nação tem todas as condições de fazer o Benfica grande, recuperar o prestígio internacional
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Jorge Jesus, Técnico do Benfica

Quem comemora o resultado destas operações é o treinador recém-contratado. Jesus voltou à equipe movido pela ambição de montar um elenco competitivo e levar o Benfica de volta ao título da Liga dos Campeões. A última conquista foi em 1962. "Não vim para melhorar meu contrato salarial, vim para ganhar menos dinheiro que ganhava no Flamengo. Vim para o Benfica porque acredito em um projeto, porque acredito que essa nação tem todas as condições de fazer o Benfica grande, recuperar o prestígio internacional", disse o treinador.

O retorno à equipe depois de cinco anos fez Jesus estar com prestígio o suficiente para pedir vários reforços. E o Benfica tem se esforçado para atender. O conhecimento acumulado no futebol brasileiro levou o técnico a indicar o atacante Éverton Cebolinha, destaque do Grêmio, e o lateral-direito Gilberto. Completam o grupo de novidades o ex-corintiano Pedrinho, contratado em fevereiro, o goleiro Helton Leite, o meia alemão Waldschmidt e o zagueiro belga Vertonghen.  

Cebolinha revelou na chegada ao clube que a presença do "Mister" foi fundamental para que escolhesse o Benfica. "Tive boas referências do Mister por outros atletas que trabalhavam com ele e sempre me diziam que é um excelente treinador. Pude comprovar isso. Foi um cara que teve importância dessa escolha. Pude acompanhar o trabalho dele e quis experimentar", afirmou o ex-atacante do Grêmio. O ex-corintiano Pedrinho também destacou a ansiedade por trabalhar com Jesus.  "Acho que ele resgatou o verdadeiro futebol brasileiro. É sempre bom jogar com alguém que gosta do jogo, alguém que adora futebol".

Fora Jorge Jesus, outro personagem importante de todo esse processo sobre o Benfica é o presidente do clube, Luís Filipe Vieira. No cargo desde 2003, ele está no quinto mandato e se envolve diretamente com várias negociações. Inclusive, foi o próprio dirigente quem viajou ao Rio de Janeiro em julho para convencer o então técnico do Flamengo a voltar para Portugal.

Análise - 'O Benfica quer encher a equipe de craques'

João Almeida Moreira*

O Benfica, sob liderança já longa de Luís Filipe Vieira, tem duas obsessões: garantir a hegemonia do futebol português, perdida a partir dos anos 1980 para o rival FC Porto, sob liderança ainda mais longa do seu desafeto Pinto da Costa; e vencer uma competição europeia, que lhe escapa desde 1962, acredita-se que por causa de uma maldição lançada, ao ser despedido do clube, pelo húngaro Béla Guttmann, que passou pelo São Paulo. Por isso contratou Jorge Jesus, que ao levar os Encarnados a dois títulos de campeão, em 2014 e 2015, parecia dar início à tal hegemonia; e quer encher a equipe de craques para não dar margem aos rivais. O Brasil, por razões óbvias, faz parte desse roteiro, com Cebolinha certo, De Paula a caminho e os velhos conhecidos de JJ, Gerson e Bruno Henrique, ainda em pauta.

Correspondente do jornal português A Bola no Brasil

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