Benzema fica 'chocado' após ser acusado de desprezar hino francês

Atacante do Real cuspiu no chão após término da Marselhesa

Estadão Conteúdo

25 de novembro de 2015 | 12h26

Acusado de ter desprezado o hino da França antes da partida entre Real Madrid e Barcelona, realizada no último sábado, pelo Campeonato Espanhol, Karim Benzema se manifestou por meio de seus advogados, nesta quarta-feira, para se dizer "extremamente chocado" com as interpretações que sugerem que ele teria exibido menosprezo às vítimas dos atentados terroristas ocorridos em Paris, no último dia 13, quando 130 pessoas foram mortas e outras tantas ficaram feridas.

A nova polêmica envolvendo o atacante, que já enfrenta um processo por envolvimento em um esquema de chantagem, do qual seu companheiro de seleção Mathieu Valbuena é vítima, começou depois que o jogador do Real foi flagrado pelas câmeras de tevê cuspindo no chão após ao término da Marselhesa no último sábado.

A imagem causou revolta aos franceses, inclusive à deputada que representa o país na União Europeia, Nadine Morano, que pediu a exclusão do jogador da seleção nacional por sua atitude. "Depois de muito tolerarmos as vaias contra a Marselhesa em estádios de futebol, precisamos de dura punição a Benzema, que não é mais digno de vestir as cores da seleção francesa. Não vamos encontrar desculpas para o imperdoável. Benzema deveria ser permanentemente excluído da seleção francesa", escreveu Morano em sua página no Facebook.

Nesta quarta, porém, o atleta qualificou essas interpretações como "escandalosas". Por meio de um comunicado, os advogados indicaram que o astro da seleção francesa está "extremamente surpreso com a interpretação que se fez do ato, em geral banal, praticado por todos os jogadores do mundo". No caso, ele se referiu ao cuspe no chão, que de fato é uma prática comum de se ver nos gramados de futebol.

Nadine Morano, entretanto, destacou que Benzema "cuspiu justo no fim da Marselhesa", o que para ela configurou um ato que "se enquadra em desprezo e insulto às vítimas, suas famílias e toda a nação". "Todo mundo sabe o fascínio da juventude por jogadores de futebol. Os jogadores precisam mostrar seu melhor comportamento", disse.

No comunicado distribuído nesta quarta, por sinal, o advogado de Benzema Alain Jakubowicz reconheceu que a cusparada de Benzema ocorreu em um momento inoportuno, mas ressaltou que o jogador nega a "interpretação escandalosa" que foi dada ao ato.

"Embora não tenha por que se justificar, Karim Benzema quer lembrar que manifestou a sua total solidariedade com as vítimas dos atentados que custaram a vida de 130 de nossos compatriotas em 13 de novembro e com suas famílias, por meio de sua publicações (na redes sociais)", afirmou Jakubowicz, se referindo ao fato de que o atacante publicou mensagens de apoio às vítimas e suas famílias em sua conta no Twitter.

Filho de imigrantes argelinos, Benzema já causou polêmica em outros momentos em relação à Marselhesa, ao optar por não cantá-la antes dos jogos do seleção por entender que sua letra é xenofóbica.

No fim de semana, diversos campeonatos nacionais pela Europa optaram por tocar o hino francês antes de suas partidas como forma de homenagear as vítimas dos ataques a Paris no último dia 13, que deixaram 130 mortos.

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