Bianchi bate recorde na Libertadores

Carregar o troféu, para um personagem da final, não foi grande novidade, já virou rotina em sua carreira. O técnico argentino Carlos Bianchi bateu um recorde na América do Sul, ao se tornar o maior vencedor da Copa Libertadores, com a conquista desta quarta-feira, contra o Santos. Foi o quarto título continental e o terceiro em cima de brasileiros. Aos 54 anos, Bianchi é, atualmente, um dos principais treinadores ? se não for o principal ? da Argentina. E um dos grandes carrascos do Brasil. Os são-paulinos, os palmeirenses e, agora, os santistas podem dizer isso com propriedade. Sua saga começou em 1994, numa noite de quarta-feira, também no Morumbi. Dirigindo o Vélez Sarsfield, ganhou seu primeiro título de Libertadores e iniciou a caminhada rumo ao estrelato. O adversário foi o São Paulo. O time do Morumbi precisava vencer por dois gols de diferença ou por um e levar a decisão para os pênaltis. Os argentinos haviam levado a melhor no primeiro confronto (1 a 0). Com um gol de Müller, os são-paulinos deram o troco, mas acabaram perdendo nos pênaltis. O herói foi o goleiro paraguaio Jose Luis Chilavert, que defendeu um pênalti de Palhinha. A equipe da casa deixou escapar o tri. O segundo triunfo ocorreu em 2000, no Morumbi, novamente em decisão por pênaltis. Só que não dirigia mais o Vélez e sim o Boca Juniors. O derrotado, naquela ocasião, foi o Palmeiras, após empate por 0 a 0 no tempo normal. O time de Parque Antártica viu ruir o sonho do bicampeonato. No ano seguinte, mais uma vez, o Palmeiras foi vítima do Boca de Bianchi, só que nas semifinais. Os argentinos venceram nos pênaltis, no Parque Antártica, depois de empate por 2 a 2 no jogo. Na final, o treinador alcançou seu terceiro título ao derrotar o Cruz Azul, do México. Ídolo de boa parte dos portenhos, Bianchi demonstrou, nesta final, porque tem carreira tão brilhante. Sabia das limitações de seu time e não inventou moda. Manteve o esquema defensivo, explorando os contra-ataques e foi assim que conseguiu a vantagem de dois gols no primeiro confronto, na semana passada, no La Bombonera. Além das conquistas em Libertadores, o comandante do Boca ganhou seis vezes o Campeonato Argentino e duas vezes o Mundial. Em 14 de dezembro, pode faturar o terceiro Mundial, contra o Milan, em Tóquio, no Japão. Como jogador também teve sucesso. Estreou, como profissional, no Vélez em 1967 e guarda, com emoção, um fato histórico. Em 69, atuou num amistoso contra o Santos, que contava com Pelé e companhia, e seu time, o Vélez, goleou por 5 a 0. Ele fez os cinco gols do jogo. Seus resultados como técnico atraíram interesse de clubes do Brasil, como Corinthians e São Paulo. Chegou a ser sondado, mas em nenhum momento esteve perto de acertar com alguma equipe do País. Bianchi, que já trabalhou na Roma, da Itália, praticamente descarta deixar a Argentina. Quer curtir a família e a formidável quantia em dinheiro que já ganhou no futebol.

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 00h23

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