Bianchi dá a receita vitoriosa do Boca

A primeira colocação no ranking da Fifa, os títulos do Mundial Interclubes e da Taça Libertadores são os títulos que ostenta, no momento, o Boca Juniores, que, por isso, pode ser considerado o melhor time do planeta. É um reflexo da excelente fase que atravessa o futebol argentino, cuja seleção é a líder nas eliminatórias sul-americanas do Mundial de 2002. O time enfrenta o Vasco nesta quarta-feira pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América."O futebol argentino, realmente, está muito bem, mas o brasileiro tem sempre de ser respeitado", analisa o técnico do Boca, Carlos Bianchi, comandante da equipe nas últimas conquistas. O segredo do treinador para elevar o Boca ao estágio atual é contar com um elenco homogêneo, em que os reservas conseguem suprir a ausência dos titulares. "Não podemos ficar preocupados com cada jogador, mas ter subtitutos a altura." Embora Bianchi tente minimizar a importância de valores individuais, não há dúvida de que Riquelme é a estrela do time. Seu passe é cobiçado pelos principais clubes europeus. Falar com o craque é difícil, pois, assim como seus colegas, evita a imprensa. Os atletas argentinos esboçaram certa arrogância ao recusarem entrevistas com os jornalistas brasileiros, após o treino desta quarta-feira no campo do Fluminense, nas Laranjeiras.As competições continentais são a prioridade para o clube, que utiliza os reservas no Campeonato Argentino. Mesmo assim, ocupa a terceira posição em seu país, atrás do rival River Plate e do San Lorenzo. A intenção de Bianchi é evitar o desgaste de seus jogadores, pois o calendário argentino é apertado, como o brasileiro. "Queria que as partidas fossem mais distanciadas na Libertadores. Assim, fica um jogo decisivo após o outro", reclamou, repetindo o discurso de técnicos brasileiros.Uma prova de que há outros problemas comuns no futebol brasileiro e no argentino é o diálogo entre Bianchi e o técnico do Fluminense, Oswaldo de Oliveira. Ao ser questionado sobre a paralisação dos jogadores argentinos, que pediam o fim dos atrasos de salários, o técnico do Boca disse que deveria haver "um movimento igual em todo a América do Sul". Oswaldo completou: "Até porque isso nos afeta também".O Boca, porém, tem superado os empecilhos e, com os resultados dos últimos anos, conseguiu ultrapassar os poderosos times europeus no ranking da Fifa. Para atingir o sucesso, Bianchi ressaltou que não há uma receita especial. "Temos que ter os jogadores se não, não ganhamos nada." Uma lição para os ?modernos? técnicos brasileiros.

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