Bicampeonato foi conquistado nos anos 90

O tricampeonato mundial conquistado pelo São Paulo neste domingo é a coroação de um trabalho iniciado no começo dos anos 90, quando o time do mestre Telê Santana levantou a taça da Copa Intercontinental (chamada também de Mundial Interclubes) duas vezes consecutivas - em 1992 e 1993. O primeiro sobre o Barcelona e o segundo em cima do Milan - campeões europeus de tradicão e futebol de primeiro nível. No primeiro título brilhou a estrela de Raí. No segundo, a do veterano Toninho Cerezzo.Em 92 o São Paulo tinha uma equipe de respeito. Zetti no gol, Ronaldão liderava a zaga, Cerezzo fazia a cabeça-de-área e Rai comandava o meiop-campo e ataque, que tinha os habilidosos Palhinha e Müller. Só que o Barcelona não deixava por menos. Contava com três craques estrangeiros - o zagueiro holandês Koeman e o atacante búlgaro Stoichkov e o dinamarquês Michael Laudrup. Além disso, tinha cinco jogadores da seleção da Espanha - Zubizarreta, Ferrer, Amor, Bakero e Guardiola, além de um da holandesa: Witschge. As coisas começaram complicadas, como era de se esperar. Aos 12 minutos, Stoichkov apareceu livre na entrada da área; percebeu Zetti adiantado e chutou por cobertura: 1 a 0 para o Barcelona. Quando as coisas pareciam mais difíceis, no entanto, começa a aparecer o futebol de Raí. Com coragem e espírito de liderança, o meia tomou conta do jogo. Depois de criar uma excelente jogada para a conclusão de Palhinha, Rai empatou a partida aos 27 minutos, numa jogada peculiar. Müller cruza da esquerda e Rai, de barriga, faz o primeiro gol são-paulino: 1 a 1.No segundo tempo, mais uma vez Raí. Quando o time espanhol mais pressionava, Rai vira o jogo numa corbança de falta perfeita. Na entrada da área, acertou o ângulo direito de Zubizarreta. Estava consolidada a vitória e o primeiro título mundial do São Paulo.No ano seguinte o torcedor são-paulino foi para o Mundial com uma preocupação enorme. Rai já havia se transferido para o PSG, da França e o time buscava um líder em campo. Apesar de ainda contar com Zetti, Ronaldão, Palhinha e Müller, o time carecia de um comando mais claro. E ele foi dividido entre Leonardo e Cerezzo. A exemplo do Barcelona, o Milan também era uma potência mundial. Contava com nada menos que sete jogadores da seleção italiana - Panucci, Baresi, Costacurta, Maldini, Albertini, Donadoni e Massaro. Tinha dois da seleção francesa - Desailly e Papin - além do craque romeno Radouciou. O que se viu, mais uma vez, no entanto, foi um jogo equilibrado. Os italianos partiram para cima, mas os brasileiros resistiram e responderam. Ao contrário do que aconteceu na partida contra o Barça, no entanto, o São Paulo largou na frente, com um gol de Palhinha, completando um cruzamento da direita. Forte, o Milan empataria no começo do 2º tempo com Massaro. O gol deu novo fôlego ao time italiano. Embalado, o Milan partiu para o ataque em busca da virada, mas falou mais alto a experiência e a qualidade de Cerezzo. Aos 13, o volante faz 2 a 1, mas o francês Papin empata a nove minutos do final. Quando o jogo se encaminhava para a prorrogação, Müller - num gol pra lá de esquisito - fez o terceiro. Cerezo percebeu que Müller entrava em diagonal e fez o lançamento. Rossi e Costacurta se atrapalharam tentando cortar. A bola bateu no calcanhar do brasileiro e entrou. Era o segundo título mundial do São Paulo.Ficha técnica Data - 13/12/1992 São Paulo 2 x 1 Barcelona Gols - Stoitchkov aos 12 e Raí aos 27 minutos do primeiro tempo; Raí aos 34 minutos do segundo tempo. São Paulo - Zetti; Vítor, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luís; Pintado, Toninho Cerezo (Dinho), Raí e Cafu; Müller e Palhinha. Técnico: Telê Santana. Barcelona - Zubizarreta; Koeman, Ferrer e Eusébio; Amor, Bakero (Goicoechea), Guardiola, Beguiristain (Nadal) e Witschge; Stoitchkov e Michael Laudrup. Técnico: Johan Cruyff. Juiz - Juan Carlos Lostau (Argentina). Local - Estádio Nacional, em Tóquio (Japão).Ficha técnica Data - 12/12/1993 São Paulo 3 x 2 Milan Gols - Palhinha aos 19 minutos do primeiro tempo; Massaro aos 3, Toninho Cerezo aos 14, Papin aos 36 e Müller aos 41 minutos do segundo tempo. São Paulo - Zetti; Cafu, Válber, Ronaldão e André; Doriva, Dinho, Toninho Cerezo e Leonardo; Müller e Palhinha (Juninho). Técnico: Telê Santana. Milan - Rossi; Panucci, Costacurta, Baresi e Maldini; Albertini (Orlando), Dasailly, Donadoni e Massaro; Papin e Radouciou (Tassoti). Técnico: Fábio Capello. Juiz - Joel Quiniou (França). Local - Estádio Nacional, em Tóquio (Japão).

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