Bielsa promete a Argentina no ataque

"Mais importante do que tentar ganhar é evitar perder." Com estas palavras, o técnico da seleção argentina de futebol, Marcelo Bielsa, deu o tom psicológico que toma conta do time que na quarta-feira se encontrará com a seleção brasileira em Belo Horizonte. Com o olhar perdido no infinito, Bielsa lamentou-se das críticas que recebe por parte dos analistas esportivos e da população, e disse que uma vitória sobre o Brasil - mais do que pontos na classificação das Eliminatórias - servirá para recuperar o ânimo dos jogadores, além de resgatar a confiança perdida com a torcida. Durante uma coletiva de imprensa realizada no reduto da seleção, próximo do aeroporto de Ezeiza, Bielsa disse que o Brasil é um "rival clássico" da Argentina. Além disso, o técnico argentino disse que a seleção brasileira de forma alguma pode ser subestimada. A saída de Ronaldinho Gaúcho, celebrada por torcedores argentinos como uma perda da potência brasileira, foi relativizada por Bielsa. Segundo o técnico, a ausência de Ronaldinho - que definiu como um jogador de "grande peso" - seria substituído por alguém à altura. Quando foi informado por um jornalista de que o homem no lugar do gaúcho do Barcelona seria Luís Fabiano comentou: "Estão vendo? Confere com o que acabo de dizer. Um deles é um jogador de maior armação e o outro, de maior contundência." Sobre os jogadores argentinos, não quis falar. Bielsa somente confirmou um jogador: Pablo Cavallero, que será o goleiro. Ataque - Bielsa sustentou que espera que no caso de vitória sobre o Brasil, este jogo sirva como "um golpe de credibilidade" para a criticada seleção argentina. Para vencer, sua estratégia será a de atacar, aproveitando o que considera uma fraqueza do lado brasileiro: a defesa. "O Brasil é um time que prioriza tudo o que é vinculado ao ataque. Dá mais atenção às funções criativas do que à recuperação da bola. Talvez isso gere uma descompensação defensiva." Segundo Bielsa, a missão do time argentino será o de "ir atrás do jogo, ser os protagonistas?. ?Não ignoramos o potencial do rival, mas também achamos que temos força e acreditamos nessas possibilidades. O Brasil é um time que se sente mais confortável atacando do que defendendo. Por isso é mais recomendável atacar do que defender-se do Brasil." Sobre os jogadores brasileiros, Bielsa deu apenas um único detalhe de estratégia. "Jogar bem perto do Edmílson." Bielsa comentou longamente sobre a rivalidade que existe entre o Brasil e a Argentina na área do futebol. Segundo ele, o jogo contra a seleção verde-amarela "não é um jogo a mais?. ?Para nós, é um rival clássico. É um jogo cheio de estímulos." Segundo ele, jogar contra a seleção brasileira tem um sabor diferente. "Há sempre a sensação de que os jogos com o Brasil têm algo que os outros não têm." Durante décadas a seleção brasileira foi a rival por excelência da Argentina. No entanto, a partir de 1982 outro país começou a dividir o pódio da rivalidade com o Brasil: a Inglaterra. Tudo começou por causa da derrota infligida pelos britânicos ao exército argentino durante a Guerra das Malvinas. Por este motivo, Bielsa explica que existem diferenças nas rivalidades com o vizinho do Mercosul e o país do Velho Continente. "O jogo contra o Brasil trata-se de um duelo histórico, de dois países onde o futebol foi evoluindo em conjunto. Com a Inglaterra, a rivalidade é por questões alheias ao futebol, que remete à sensibilidade dos argentinos." Na família Bielsa, as Malvinas têm um lugar especial: seu irmão, Rafael Bielsa, atualmente é o chanceler do governo do presidente Néstor Kirchner, que exige a devolução das ilhas. Em 1982, seu irmão apresentou-se como voluntário para lutar na guerra no Atlântico Sul.

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