Bilheteria e televisão racham Clube dos 13

Nem o clima de festa parece acalmar os ânimos nos bastidores do Clube dos 13. O ano de 2003 nem acabou e os cartolas já estão em pé de guerra nas discussões que cercam o próximo Campeonato Brasileiro. O motivo não poderia ser outro: dinheiro. De um lado os clubes médios e pequenos lutando para que as bilheterias dos estádios fiquem integralmente com os mandantes. Do outro, os mais populares, que brigam para não dividir os lucros do pay-per-view (PPV). O assunto deveria constar apenas na pauta de reuniões futuras. Porém, pressões de ambos os lados e a constatação de que o sistema de venda de pacotes para TV, pela primeira vez, dará lucro aos clubes no ano que vem, como mostrou a Agência Estado nesta quarta-feira, anteciparam a polêmica. E não é complicado de entender o embate. Clubes sem grande mercado nacional, chamados também de regionais, como Atlético-PR, Coritiba, Vitória, Criciúma, Atlético-MG, Paysandu, etc, têm interesse em não dividir as rendas das partidas nas quais são mandantes. Isso porque quando essas equipes enfrentam adversários pertencentes ao ?primeiro escalão?, casos de Corinthians, Flamengo, São Paulo, entre outros, conseguem lotar seus estádios. O mesmo não se aplica aos jogos de volta. Dessa forma, o sistema de deixar a bilheteria integral com o mandante, em tese, beneficiaria os clubes menos populares nacionalmente em detrimento do ?grandes?. Depois de muita discussão e nenhuma conclusão, a parte prejudicada encontrou o argumento que precisava para esquentar ainda mais a polêmica. Na segunda-feira, em reunião realizada na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os times mais tradicionais acenaram com a possibilidade de acatar a idéia, mas impuseram uma condição: a receita das vendas de pacotes de PPV também deve ficar com o mandante do jogo. Pronto, o burburinho tomou conta do ambiente. Corinthians e Flamengo, por exemplo, têm motivos de sobra para defender tal tese. Com o plano elaborado pela Globo Esportes para incentivar o crescimento do mercado de TV por assinatura (espera-se que, com a elitização nos estádios, a parcela da torcida que não tenha condição de comprar ingresso migre para o PPV comunitário), a receita dos pacotes vai aumentar. ?Hoje o público virtual (televisão) é tão importante como o que vai ao estádio. E a prioridade vai ser o torcedor que ficou em casa?, afirma dirigente envolvido nas negociações. Lucro ? Para 2004, a Premier Sports, que vende os pacotes do Campeonato Brasileiro, não vai pagar cota fixa ao Clube dos 13, que neste ano recebeu R$ 40 milhões. A política agora é de dividir a receita total. Estima-se que sejam vendidos 280 mil pacotes na próximo ano, contra os 250 mil de 2003, o que representaria um total de R$ 95 milhões, dos quais R$ 47,5 milhões ficariam com os clubes.

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