Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Blackstar se irrita com o Palmeiras após exigência de documentos

Representante de candidata a patrocinadora afirma que clube tem sido desrespeitoso na negociação

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2018 | 19h21

A negociação de patrocínio entre Palmeiras e Blackstar esfriou. A empresa sediada em Hong Kong e que procurou o clube ao apresentar uma proposta de R$ 1 bilhão para dez anos de contrato ficou irritada com um e-mail enviado pela diretoria. No conteúdo, estavam exigências de documentação, perguntas sobre os interesses das atividades, detalhes sobre o pagamento e outras questões a serem respondidas com um dia de prazo.

Segundo o diretor financeiro e representante da empresa, Rubnei Quicoli, o Palmeiras havia demonstrado interesse na reunião realizada na terça-feira, porém teve outra postura nesta quinta-feira, ao enviar um e-mail com 19 questões para as respostas serem entregues até sexta-feira. "Como vou atrás de um documento de Hong Kong? E o fuso horário? Como vou fazer? Eles poderiam ter me pedido para me providenciar essas informações para janeiro", disse ao Estado.

O Palmeiras afirmou que não comentaria o assunto. O clube ouviu a Blackstar e tem também a possibilidade de prolongar a parceria de patrocínio com a Crefisa. Anunciante desde 2015, a empresa tinha um acordo verbal firmado com o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, para prolongar o vínculo por mais três anos. As conversas foram paralisadas para a diretoria analisar a proposta da Blackstar.

O representante da Blackstar demonstrou irritação com a postura do Palmeiras. "Teria sido mais profissional eles terem me mandado um e-mail com agradecimento. Mas me mandam 19 perguntas para responder dentro de 24 horas. Parece que querem me difamar e menosprezar minha inteligência", afirmou Quicoli, que agora considera difícil selar acordo com o clube.

A Blackstar é uma empresa do ramo de energia e bioenergia e quer ingressar no mercado brasileiro. A proposta de patrocínio de R$ 1 bilhão para o ciclo de 2019 a 2029 chegou ao clube em novembro pelo então candidato de oposição à presidência, Genaro Marino Neto. O intuito da companhia é não inviabilizar a atuação da Crefisa, mas sim conciliar espaços com a atual patrocinadora.

"Até agora não recebi do clube nenhuma confirmação de interesse, além da conversa que tivemos na terça-feira. Eu já apresentei um documento sério, do banco, sobre a legitimidade da empresa", afirmou Quicoli. "Falta profissionalismo por parte deles. A conversa estava animadora, porque havia evoluído", lamentou.

DEMANDAS DO PALMEIRAS

(i) Favor enviar organograma societário do grupo econômico do qual a Blackstar faz parte, identificando todas as empresas e seus respectivos acionistas/sócios até o beneficiário final.

 

(ii) Favor identificar quais empresas terão operação no Brasil, e quais delas terão relacionamento com o Palmeiras.

 

(iii) Qual a sua função e posição no organograma do grupo de empresas?

 

(iv) Quais condições contratuais serão exigidas pela Blackstar para a assinatura do contrato e a liberação do valor do patrocínio?

 

(v) Favor enviar o último relatório anual divulgado para o mercado com os resultados das empresas do grupo.

 

(vi) A Blackstar apresentará alguma garantia bancária enquanto estamos evoluindo nas tratativas? Em caso positivo, qual tipo de garantia?

 

(vii) Quais outras referências bancárias podem ser fornecidas pela Blackstar?

 

(viii) Qual o plano de investimento da Blackstar no Brasil para os próximos 10 anos? Favor detalhar áreas de atuação e valores de investimento previstos.

 

(ix) Como a Blackstar pretende associar a sua marca ao Palmeiras? Quais as ações de marketing deverão ser viabilizadas pelo Palmeiras?

 

(x) A manutenção do patrocínio e/ou dos valores estará condicionada a algum fator ou variável como, por exemplo, performance esportiva?

 

(xi) Quais são os atributos (brand equity) identificados na marca do Palmeiras que podem fortalecer a imagem da Blackstar ou das empresas do grupo?

 

(xii) Outros clubes/times do Brasil poderão ser patrocinados durante o período do contrato com o Palmeiras ou haverá exclusividade?

 

(xiii) Qual seria o período do contrato? A Blackstar consideraria um período menor ou maior? Qual o prazo mínimo e o máximo?

 

(xiv) Como seriam feitos os pagamentos das verbas de patrocínio (valores, datas, condições etc.)?

 

(xv) Como a Blackstar pode contribuir para o fortalecimento da marca do Palmeiras (além dos aspectos financeiros)?

 

(xvi) A Blackstar possui contratos de patrocínio em outros países? Quem são os patrocinados?

 

(xvii) A intenção da Blackstar é explorar um número específico de marcas durante o período de contrato ou não há limite?

 

(xviii) Quais os parâmetros considerados para a escolha do Palmeiras? Quem tomou a decisão?

 

(xix) O interesse da Blackstar é exclusivo e específico no futebol ou considera outras possibilidades no caso do Palmeiras? Quais?

 
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