JF Diório/Estadão
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Após prisões, Blatter diz que 'mais notícias ruins virão'

Em discurso, cartola condena corrupção dos membros da Fifa

Jamil Chade - Correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2015 | 12h42

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, reconhece que “mais notícias ruins virão” no que se refere aos escândalos de corrupção no futebol. Ele insiste que são casos “individuais” e que é apenas uma “minoria” entre os cartolas da entidade que agem de forma corrupta. Falando pela primeira vez desde as prisões de sete de seus dirigentes nesta semana em Zurique, Blatter insistiu na abertura do Congresso Anual da Fifa. Diz que ele fará a reforma da entidade.

Somos uma vasta maioria que gosta do futebol, não pelo poder ou cobiça, mas pelo amor ao futebol e para servir a outros”, disse o cartola, que concorre a releição nesta sexta. “O confesso que será um caminho longo e difícil para reconstruir a credibilidade. Perdemos e vamos reconquistar por meio das ações e como agimos de forma individual”, alertou. Blatter, que nesta sexta concorre à eleição, ainda pediu “solidariedade”. “Estamos todos unidos”, insistiu. Hoje, Michel Platini, presidente da Uefa, pediu a demissão de Blatter.

O presidente da Fifa insistiu: “Esses é um momento difícil e sem precedentes”, reconheceu. “Os eventos de quarta jogaram um longa sombra no futebol e no Congresso da Fifa. Ações individuais trouxeram vergonha e humilhação ao futebol e exigem mudanças”, disse. “Nao podemos deixar que a reputação do futebol entre na lama. Isso precisa parar agora.”

Blatter também se isentou de qualquer culpa no escândalo. “Muitos dizem que eu sou responsável pela comunidade global do futebol, seja na Copa ou escândalo de corrupção. Mas eu não posso monitorar as pessoas todo o tempo. Se eles fazem algo errado, tentam esconder. Cabe a mim proteger a reputação e encontrar uma saída.”

O FBI disse que Blatter não está sendo investigado. “Não vou deixar que atos de alguns destruam as açoões de tantos que trabalham pelo futebol. Aqueles corruptos são minoria. Mas precisam ser pegos e levados a suas responsabilidades”, declarou o presidente da Fifa. “Vamos cooperar com as autoridades para que aqueles envolvidos, de cima para baixo, sejam punidos. Não pode haver espaço para corrupção. Os próximos meses nao serão fáceis. Mais noticias ruins virão.”

Tanto a Justiça americana quanto a Justiça suíça indicaram que as prisões dos últimos dias são apenas as primeiras etapas de um processo bem maior.

CONGRESSO

Vivendo sua pior crise, a Fifa abriu na tarde desta quinta, de forma constrangida, seu congresso anual em Zurique, com música, roupas de gala e carros de luxo. A entidade foi sacodida pela prisão de sete de seus membros, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Ainda assim, a festa foi mantida depois que Blatter recebeu o apoio de algumas confederações, entre elas a sul-americana. Ao subir no palco para falar, não faltaram assobios e palmas frenéticas.

O tema do evento: a solidariedade. A festa teve músicos suíços, bandeiras das 209 federações e imagens alpinas. Mas a imprensa foi mantida distante dos cartolas, que entraram por portas separadas e com forte presença de seguranças privados e da cidade de Zurique. Dentro do teatro, uma vez mais os jornalistas foram mantidos em um local separado, sem qualquer acesso aos dirigentes. 

Blatter havia cancelado todas as suas participações em eventos nos últimos dois dias, também para evitar qualquer tipo de contato com a imprensa ou questões embaraçosas. Nesta tarde, porém, ele foi à sua própria festa, além de ministros suíços e autoridades locais. Thomas Bach, presidente do COI, também estava presente. 

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