Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Blatter apresenta recurso contra suspensão na Fifa

Nesta quinta-feira, presidente foi afastado do cargo por 90 dias

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2015 | 08h28

Joseph Blatter recorre da decisão da Fifa de o afastá-lo por três meses do cargo de presidente e espera reverter o julgamento que o impede de ter qualquer relação com o mundo do futebol. A informação foi divulgada pelo jornal New York Times, que afirma ter obtido uma cópia do recurso. 

Na quinta-feira, Blatter foi suspenso por 90 dias da entidade que ele preside por conta das investigações abertas pelo Ministério Público contra o suíço. Ele é suspeito de “gestão desleal” e “apropriação indevida” de recursos. 

Hoje, porém, ele questionou a iniciativa, alegando que o processo violou as próprias regras do Comitê de Ética. Blatter quer agora ter acesso ao processo que o afastou e pede que seja ouvido pelos inspetores.

Além de Blatter, a Fifa afastou o secretário-geral, Jerome Valcke, e os dois principais candidatos ao comando da organização, Michel Platini e o magnata coreano Chung Moon-jong. A decisão abriu uma disputa política feroz em Zurique e jogou o mundo do futebol em um caos diante da indefinição sobre quem assumirá a entidade a partir do dia 26 de fevereiro, data da eleição. 

Criada há 111 anos, a Fifa não tinha um governo ontem e mesmo seus funcionários, em comentários dentro da entidade, admitiam que ela havia sido « engolida pela corrupção ». Na prática, a ação de ontem foi o capítulo mais dramático desde a prisão de sete cartolas em maio deste ano, em Zurique. Uma onda de investigações foi iniciada e que chegou até o comando máximo do futebol. 

No lugar de Blatter, assume Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol desde os anos 80 e envolvido em escândalos como o da ISL e suspeito de ter recebido US$ 1,5 milhão para votar no Catar para a Copa de 2022. Há poucas semanas, ele manobrou para mudar o estatuto de sua entidade para permanecer no poder.

PLATINI

Mas é sobre o futuro da entidade que a medida tem um impacto mais profundo. Hayatou garantiu que vai manter a data de 26 de fevereiro para as eleições e indicou que não será candidato. Mas fontes dentro da entidade confirmam que ele não tem poder e que a Fifa estaria sendo administrada na prática por Domenico Scala, o homem que conduz o processo de reforma, pelo Comitê de Ética, advogados e pelos patrocinadores.

Enquanto o império desabava, membros do Comitê Executivo disparavam ligações para tentar convocar uma reunião de emergência. 

Para fontes ouvidas pela reportagem, a decisão tomada pelo Comitê de Ética abre uma era de incertezas sobre quem assumirá a organização. O julgamento praticamente inviabiliza a eleição de Platini, considerado como favorito e que prometia transparência e reforma na entidade caso fosse eleito em fevereiro de 2016. Para o Comitê de Ética, a suspensão torna seu pleito "muito complicado".

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