Blatter avisa: Brasil sediará Copa se cumprir exigências

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixou claro que nem a conquista do hexa na Copa do Mundo pelo Brasil nem a obtenção pelo País do direito de sediar a Copa do Mundo em 2014 estão garantidos. Apesar de a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) indicar o Brasil como único candidato a sediar o Mundial, Blatter alerta que o País terá de cumprir primeiro a lista de exigência da entidade. "Caso contrário, o dossiê será reaberto", afirmou Blatter, que também anunciou que concorrerá a um terceiro mandato à frente da entidade em 2007, ao contrário do que havia prometido. "Só em 2008 é que Fifa vai tomar uma decisão sobre a Copa de 2014. Mas já dissemos que respeitaremos o princípio da rotatividade entre os continentes e que, portanto, o torneio será na América do Sul. Já recebemos também uma carta de garantia da Conmebol dizendo que todos os países da região apóiam o Brasil. Mas haverá uma lista de exigências que o País terá de cumprir que será a mesma e até possivelmente mais dura que a lista de exigência para a Copa de 2010 na África do Sul", explicou Blatter. Quanto à onda de violência em São Paulo, o presidente da Fifa evitou dar uma opinião se a situação na capital seria um obstáculo para sediar a Copa em 2014. "A Copa não é hoje e, em 2014, haverá outra geração. Se olharmos hoje para o mundo e suas atrocidades, seria difícil ver quem poderia sediar qualquer evento. Países até maiores que o Brasil enfrentam problemas e ninguém questiona. Certamente a segurança é um fator que teremos de avaliar, mas a Fifa não tem uma polícia e precisa contar com as forças de ordem locais. A segurança não é uma questão para a Fifa resolver", disse. Mundial da Alemanha vai ser bomEm uma entrevista de quase três horas para os principais jornais do mundo, Blatter ainda falou sobre todos os aspectos envolvendo o Mundial, que começa em menos de um mês na Alemanha. "A Copa se tornou um fenômeno social. Nunca um evento teve tanta atenção do público", avaliou. O presidente da Fifa ainda discordou dos comentários feitos por Pelé há dois dias de que Ronaldinho Gaúcho ainda não era um "fato". "Ele (Ronaldinho) é excepcional", afirmou. Contra promessa, candidato à reeleiçãoApesar de todos os escândalos, Blatter anunciou nesta sexta que comunicará ao Congresso da Fifa em junho que será candidato para um terceiro mandato a partir de 2007. Quando entrou, em 1998, prometeu que ficaria por apenas dois mandatos. Mas, em confissões a seus assessores, afirmou que o primeiro mandato foi prejudicado por crises e que, portanto, teria o direito a mais um. "Transformamos a Fifa em uma entidade respeitada e estou pronto a continuar o trabalho", afirmou, lembrando que sua saúde está em dia. Se reeleito, Blatter já tem seu programa de governo: reduzir o número de equipes nos campeonatos nacionais para 16 ou 18 e assim combater o excesso de futebol na TV. "Se há muitos jogos, o interesse do público irá cair. Já tivemos menos telespectadores no Reino Unidos e Itália neste ano", alertou o presidente da Fifa.

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