Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Blatter começa a 'limpar' imagem da Fifa no País

Presidente da entidade voltou ao Rio e foi assistir à partida da seleção, mas só anda com um forte aparato de segurança

JAMIL CHADE - Enviado especial - Colaborou Almir Leite, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2013 | 07h33

RIO - A culpa não é da Copa e nem da Fifa. Para o presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter, os brasileiros que tomaram as ruas do País estão protestando por "problemas sociais internos", e não por conta do futebol. O Estado apurou com exclusividade que a declaração do cartola, que desembarcou no Brasil depois de sete dias fora por conta das manifestações, faz parte de um esforço montado pela Fifa nos últimos dias para salvar sua própria imagem, seus lucros e se isentar de qualquer responsabilidade. O comportamento de Blatter tem deixado o governo furioso.

 

Sob forte proteção, Blatter fez questão de se distanciar dos acontecimentos no Brasil. "São problemas sociais internos do Brasil, não do futebol. O futebol só traz alegria e sempre está seguro, nunca é o alvo", insistiu Blatter. Nas ruas, um dos pontos que tem unido manifestantes é o fato de que a Copa tem custado bilhões de dólares em recursos públicos, enquanto a população precisa enfrentar filas em hospitais e problemas na educação.

 

Para a Fifa, a entidade está sendo "usada" por grupos políticos brasileiros, numa disputa local. "Estamos sendo usados por diversos grupos e, ao mesmo tempo, não podemos reagir, sob o risco de seremos acusados de nos intrometer em assuntos domésticos", admite um alto funcionário da entidade.

 

Segurança. Blatter também já indicou a seus aliados mais próximos que a ordem dentro da entidade é a de se afastar das polêmicas, não comentar os protestos e não responder às críticas, salvo para apontar os pontos positivos que a Copa do Mundo pode gerar ao Brasil. "O futebol traz a alegria não apenas ao Brasil, mas ao mundo."

 

Apesar de tentar vender a imagem de que o futebol "nunca é o alvo" de protestos, Blatter recebeu ontem um amplo esquema de proteção.

Faltavam apenas duas horas e 45 minutos quando Blatter finalmente deixou seu quarto no Rio para se dirigir ao aeroporto e usar um avião privado para voar até Belo Horizonte. Na saída do hotel, um cortejo de seis carros blindados e quatro motos da polícia.

 

Na capital mineira, um forte esquema de segurança o blindou. Ele ordenou que sua imagem não aparecesse no telão e, logo após o final do jogo Blatter voou de volta para o Rio.

 

Nesta quinta-feira, ele fará o mesmo esquema. Sai do Rio pela manhã em direção à Fortaleza para o jogo Espanha x Itália e, no final do dia, retorna a sua base, em Copacabana. "Sinto-me muito seguro no Brasil", garantiu Blatter.

 

O cartola havia deixado o Brasil na quarta-feira da semana passada, diante dos protestos e pegando o próprio governo brasileiro de surpresa. O Estado apurou que a saída de Blatter foi uma forma de pressionar o governo brasileiro para que adotasse medidas extras de segurança, numa chantagem que deixou a presidente Dilma Rousseff furiosa com os cartolas do futebol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.