Montagem/AP
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Irritado, Blatter afirma que não vê motivos para ser preso e acusa EUA

Presidente ataca governo e afirma: 'Essa operação não cheira bem'

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2015 | 06h10

Atualizada às 14h54

"Preso eu, por quê?" Foi assim que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, respondeu a uma bateria de perguntas da imprensa em uma primeira entrevista coletiva desde que o escândalo de corrupção na entidade eclodiu. Um dia depois de vencer a eleição para mais um mandato no comando da Fifa, o dirigente passou a ser alvo de pressão. 

Ele se recusou a aceitar uma demissão e a tradicional postura humilde foi substituída por ataques, agressividade e um alerta: “eu não esqueço”. Blatter ainda denunciou a operação do FBI como uma manobra dos EUA para atacar a Fifa como revanche por ter perdido a Copa de 2022 para o Catar. 

Pressionado mesmo diante de ter sido eleito na sexta-feira, ele se recusou a assumir qualquer culpa ou envolvimento nos pagamentos investigados pela Justiça americana. Num dos trechos do indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA, um pagamento de US$ 10 milhões é feito a um de seus vice-presidentes, Jack Warner, num dinheiro que teria passado pela Fifa.

 

O valor seria a propina da África do Sul para ganhar votos para a Copa de 2010. Warner protestou diante do fato de o dinheiro não ter sido depositado e pediu para a Fifa. O valor acabaria vindo do Comitê Organizador da Copa do Mundo, controlado em parte pela Fifa. 

O FBI faz mistério se Blatter está entre os investigados e, ontem, seu nervosismo era nítido diante das perguntas sobre um eventual envolvimento. Warner, há poucos dias, chegou a insinuar que o suíço teria sido informado do pagamento. “Se eu recebi isso, quem pagou?”, questionou. 

Blatter respondeu. “Não comento alegações. Vamos deixar as investigações seguirem. Mas definitivamente não sou eu o mencionado”, disse. “Eu não tenho esses US$ 10 milhões”. Questionado se era “negligente ou incompetente”, Blatter também foi duro. “Nem um nem o outro”. “Se alguém investiga, eles têm todo o direito. Se isso for feito de forma correta, não tenho preocupações”, insistiu.

COMPLÔ

O suíço denunciou a manipulação da investigação nos EUA, alertando que a ação policial contra a Fifa seria uma maneira de revanche contra o fato de terem perdido a Copa de 2022 para o Catar. Para ele, se os delitos foram cometidos por cartolas sul-americanos e norte-americanos, “não vejo como a Fifa possa estar envolvida”. “Curiosamente, três jornalistas estavam na hora da operação”, atacou, insinuando uma operação manipulada. 

“Ninguém vai me tirar a ideia de que foi uma simples coincidência esse ataque americano, dois dias das eleições da Fifa”, declarou. “Não cheira bem”. 

Blatter também se recusou a pedir demissão, apesar da pressão internacional. “Por que é que eu pediria demissão ?”, disse. “Isso significaria que eu reconheço erros”. “O Congresso da Fifa ainda acha que eu sou a pessoa correta”, declarou.

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