Blatter diz que Brasil tem "longo caminho" até o hexa

Apesar de todo o favoritismo no Brasil, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, alerta que a seleção "ainda não está classificada para a final" da Copa do Mundo e deve ter a consciência de que "o caminho será longo" para o hexacampeonato. "Acredito que o Brasil irá longe nesse Mundial. Mas primeiro precisa jogar", disse Blatter.Segundo ele, a seleção de Carlos Alberto Parreira será "o time que todos vão querer bater", já que chegou à final dos últimos três Mundiais. Mas, respondendo a uma questão do Portal Estadão em uma conferência de imprensa, o presidente da Fifa garante: o Brasil não sofrerá perseguição nem da arbitragem nem da organização do Mundial. "Vocês podem esquecer disso. Essa perseguição seria o fim do futebol e o fim da Copa", afirmou.Parreira chegou a mencionar o problema há poucos meses, mas o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez questão de descartar a eventualidade de uma campanha contra a seleção. Teixeira é o vice-presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa.Blatter ainda aponta que os árbitros têm instrução para proteger os bons jogadores e o "jogo bonito". "Por isso, acho que o Brasil tem boas chances de ter um bom desempenho nessa Copa", disse.Após a conferência de imprensa, a assessoria da Fifa chegou a procurar o Portal Estadão para criticar a pergunta sobre a eventual perseguição. Mas os funcionários da Fifa acabaram deslizando ao assumir que o Brasil não pode reclamar da arbitragem nos últimos anos porque teve "muita sorte" nos Mundiais.CríticasBlatter ainda aproveitou para fazer duras críticas aos clubes, ligando problemas como corrupção, racismo e transferências de jogadores a essas equipes. "Não podemos fechar os olhos para isso. Encontramos corrupção, principalmente nos clubes. Sabemos que ocorre na Alemanha, Brasil, Bélgica, China e em outros países", afirmou o presidente da Fifa. Esses países estiveram envolvidos em escândalos de apostas e fabricação de resultados de partidas nos últimos meses.O presidente da Fifa ainda criticou o excesso de futebol, principalmente nos campeonatos nacionais, alertando que até as televisões podem ficar entediadas em transmitir as partidas. Ele defende, portanto, a redução do número de clubes nas primeiras divisões dos campeonatos.Para completar, Blatter atacou também a legião de estrangeiros nos times europeus. "Os clubes precisam resgatar identidades nacionais", afirmou o chefe da Fifa, que lembrou que existem times inteiros na Inglaterra, Itália e Rússia formado por jogadores estrangeiros.

Agencia Estado,

12 de abril de 2006 | 16h18

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