Marcel Bieri/EFE
Marcel Bieri/EFE

Para Blatter, dirigentes da Fifa devem passar por teste de integridade

Escândalos de corrupção abalam a credibilidade da entidade

Estadão Conteúdo

19 de junho de 2015 | 12h09

Depois de anunciar sua renúncia à presidência da Fifa no início deste mês, quando se viu no meio do furacão que se tornou os escândalos de corrupção que atingem a entidade, Joseph Blatter acredita que os dirigentes do alto escalão do organismo que controla o futebol mundial deveriam ser submetidos a ''testes de integridade''.

O suíço de 79 anos de idade utilizou a sua coluna na revista semanal da Fifa, publicada nesta sexta-feira, para lembrar da reunião extraordinária do seu comitê executivo que será realizada no próximo dia 20 de julho, em Zurique. Nesta data a entidade definirá a nova data da sua próxima eleição presidencial, assim como Blatter prometeu que serão tomadas "decisões para extensas mudanças na estrutura da Fifa".

Ao abordar o assunto, o mandatário afirmou que voltará a introduzir "testes independentes de integridade a todos os membros dos mais importantes comitês da Fifa", seguindo uma proposta feita por Wolfgang Niersbach, presidente da Federação Alemã de Futebol e novo membro do Comitê Executivo da Fifa.

Em seguida, Blatter enfatizou que a sugestão de Niersbach "voltou a colocar na mesa uma iniciativa que vinha sendo bloqueada mais precisamente pela Uefa", cujo presidente, Michel Platini, liderou oposição contra reeleição do suíço à presidência da Fifa. Para o suíço, é "antes tarde do que nunca" implementar essa medida.

Destacando também que a Confederação Asiática de Futebol é a única que conta com um comitê de ética independente nos moldes do que possui a Fifa, Blatter também disse que as "outras confederações devem assumir suas responsabilidades nas questões éticas".

Com o título "Mais democracia", esta última coluna de Blatter também traz um tom populista, pois o dirigente destaca que é preciso redistribuir melhor os membros do Comitê Executivo da Fifa, que hoje conta com 25 nomes e deveria ser ampliado a um maior número de representantes para dar mais espaço, por exemplo, às confederações da África e da Ásia, que contam respectivamente apenas com cinco e quatro integrantes no comitê.

O tom populista faz levar a crer que Blatter poderá desistir de sua anunciada renúncia em uma possível manobra política para poder seguir à frente da presidência da Fifa. "Apenas juntos poderemos continuar a guiar o processo de reforma. Isso é algo que eu me empenharei até o dia final do meu mandato", afirmou o dirigente ao fechar a sua coluna.

Blatter falou em "democracia" no meio do futebol um dia depois de o presidente da Associação Liberiana de Futebol (LFA, na sigla em inglês), Musa Bility, anunciar que tentará concorrer à presidência da Fifa. O dirigente se tornou o segundo nome a manifestar oficialmente o interesse em assumir o cargo. Antes de Bility revelar o desejo de entrar na corrida pela presidência, Zico havia sido o primeiro a assumir que tentará se tornar um candidato. O astro brasileiro e o liberiano, porém, dependem do apoio oficial de pelo menos cinco federações mundiais cada um para terem o direito de aspirar ao posto.

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