Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Blatter é um dos investigados pela Justiça dos EUA

Fontes da Fifa indicam que transição será usada para 'limpar rastros'

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 18h59

Joseph Blatter passa a ser investigado nos EUA e por isso é forçado a deixar a presidência da Fifa, dando um fim a uma era. Sob forte pressão de cartolas, de políticos e patrocinadores, o suíço deixa o poder depois de 17 anos como presidente e 39 anos como funcionário da entidade. Iria para seu quinto mandato.

Foi acima de tudo o risco de uma prisão e de um processo penal que mais pesaram na decisão do cartola. Se no fim de semana ele insistia que não renunciaria, tudo mudou quando foi informado de forma extra-oficial de que o Departamento de Justiça dos EUA estava tentando montar um caso contra ele, baseado nos depoimentos de dezenas de pessoas, inclusive os dirigentes da Fifa que foram presos nos últimos dias.

A pressão aumentou quando foi revelado que a Justiça americana estava investigando Jerome Valcke, seu braço-direito. Documentos revelaram que ele sabia dos pagamentos de US$ 10 milhões para cartolas no Caribe e que estão sob investigação pelo FBI. Para Blatter, ter Valcke envolvido poderia significar um contágio imediato. O Ministério Público da Suíça também indicou que havia aberto um novo processo penal por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta contra um alto funcionário da Fifa. Mas garantiu que, por enquanto, não se trata de Blatter.

Aconselhado por seus advogados e cobrados por patrocinadores, Blatter decidiu renunciar num escândalo de corrupção que fez sete presos em Zurique e se aproximou de seu gabinete. Para completar, um tribunal de Nova Iorque deve publicar nesta quarta-feira a íntegra de depoimentos no processo da Fifa, o que poderia trazer à luz nomes como o de Blatter, citados textualmente por testemunhas e mesmo por condenados.

PATROCINADORES

Em menos 48 horas, tudo mudaria para o suíço. Ele já não tinha o apoio de dezenas de grandes federações nem dos jogadores. Mas foi o risco de um contágio generalizado precipitou uma ação dos maiores parceiros da Fifa, que proliferaram reuniões desde segunda para alertar a Blatter que não estavam dispostos a assumir esse risco. 

A ameaça levantada por alguns seria de que uma eventual ação da polícia contra Blatter, sem uma transição sendo pensada, jogaria a entidade e o futebol em total desordem, com prejuízos milionários. Não por acaso, empresas como Coca-Cola rapidamente comemoraram a renúncia como "um passo positivo". Mas também cobrou, alegando que espera que a Fifa "continue a agir com urgência para tomar ações concretas para lidar com esses problemas". “Acreditamos que isso vai ajudar a Fifa a ser uma instituição do século 21."

A Visa, que havia alertado que poderia rever seu patrocínio, também cobrou a Fifa por mudanças e "restaurar sua reputação". Já a Adidas pediu transparência, enquanto a Hyundai indicou que está "preocupada" com os processos legais. A única empresa que não se pronunciou foi a Gazprom, controlada por Vladimir Putin e organizadora da Copa de 2018.

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