Carl de Souza/AFP
Carl de Souza/AFP

Blatter lamenta conflito que deixou ao menos 22 mortos em jogo no Egito

Presidente da Fifa envia carta à federação de futebol do país e oferece apoio para lidar com as consequências da confusão

Estadão Conteúdo

09 de fevereiro de 2015 | 12h01

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, se manifestou nesta segunda-feira sobre os incidentes do último domingo durante uma partida entre Zamalek e ENPPI, pela primeira divisão do campeonato nacional. Ao menos 22 pessoas foram mortas no confronto entre torcedores e a polícia no Estádio da Defesa Aérea, na zona leste de Cairo, capital do país.

Blatter enviou uma carta ao presidente da Associação Egípcia de Futebol (EFA, na sigla em inglês), na qual lamentava o ocorrido. "Eu gostaria de expressar minhas mais profundas condolências à comunidade do futebol egípcio pelos eventos trágicos que aconteceram na partida da noite passada em Cairo, entre Zamalek e ENPPI", escreveu.

O apoio de Blatter não se resumiu ao futebol local, mas também às famílias dos torcedores mortos. "Meus pensamentos estão com as famílias de todos aqueles que perderam suas vidas ontem à noite. É tao triste que um jogo como o futebol, que deveria ser local de diversão e emoções positivas, seja ofuscado desta forma."

Por fim, o dirigente ofereceu ajuda da Fifa à federação egípcia. "Nós vamos esperar os resultados da investigação desta tragédia e estamos prontos para prover à Associação Egípcia de Futebol qualquer suporte que eles possam precisar para lidar com as consequências deste evento."

De acordo com policiais presentes no momento, torcedores do Zamalek que não tinham ingressos tentaram entrar no estádio à força, provocando o confronto. A polícia, então, teria reagido jogando bombas de gás lacrimogêneo e disparando com balas de borracha. Torcedores do Zamalek ainda disseram que foram obrigados a entrar por um pequeno portão, guarnecido com arames farpados, o que teria iniciado o empurra-empurra.

Depois do golpe militar que estabeleceu a ditadura do marechal-de-campo Abdel-Fattah el-Sisi, em 2013, a presença de torcidas nos estádios foi proibida e passou a ser permitida apenas recentemente. Para a partida deste domingo, o Ministério do Interior havia autorizado a presença de 10 mil torcedores, em um estádio capaz de abrigar 30 mil.

Os eventos de domingo aconteceram apenas três anos depois do mais violento confronto na história do futebol egípcio, em 2012, em Port Said, durante uma partida entre o Al-Masry local e o Al-Ahly, do Cairo. Morreram 74 pessoas naquele confronto, em sua maioria torcedores do Al-Ahly. Dois policiais foram condenados a 15 anos de prisão por negligência; outros sete policiais foram absolvidos, o que levou torcedores a atearem fogo na sede da Associação Egípcia de Futebol.

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