FIFA; CORRUPÇÃO; JOSEPH BLATTER; COPA DO MUNDO
FIFA; CORRUPÇÃO; JOSEPH BLATTER; COPA DO MUNDO

Blatter mantém vagas na Copa do Mundo para Conmebol até 2022

Presidente afirma que entidade 'não mexerá' nas vagas

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2015 | 07h24

Os países sul-americanos levam a maioria dos seus votos para Joseph Blatter e garantem que vagas na Copa do Mundo. Hoje, a Fifa se reuniu e definiu os lugares para cada confederação nos Mundiais de 2018 e 2022. A América do Sul temia perder uma das vagas diante da pressão internacional. Mas, assim que venceu, Blatter declarou: "não mexeremos na Copa do Mundo".   

A declaração de Blatter foi comemorada pelo presidente da Conmebol, Juan Napout. "Vamos manter as mesmas vagas até 2022", disse, ao deixar a reunião nesta manhã em Zurique. 

Antes da vitória de Blatter, Napout admitia que a perda da vaga era "uma chance real". Para complicar, a ausência de Del Nero poderia afetar a votação de hoje. O brasileiro é um dos 25 membros do Comitê Executivo da Fifa e um dos três representantes da Conmebol no organismo que seria "o governo da Fifa". 

Sem o voto de Del Nero, que não pode ser substituído pelas regras, a Conmebol ficaria enfraquecida na decisão sobre a vaga para a Copa. 

Os sul-americanos tem quatro vagas garantidas para a Copa e uma quinta vaga passa por uma repescagem. Mas a pressão era para que essa meia vaga fosse transferida a outro continente. A redução ainda ocorreria no momento de maior rivalidade entre as seleções sul-americanas, com o fortalecimento do futebol da Colômbia, Chile e outros. Antes de ser detido, em entrevista ao Estado, José Maria Marin indicou que o Brasil teria "sérios problemas" para se classificar para o Mundial de 2018. 

BARGANHA 

A disputa pelas vagas passou a fazer parte da campanha eleitoral e Blatter colocou a reunião para hoje justamente para poder barganhar apoio para sua eleição. "Ele está jogando com isso", declarou Michel Platini, presidente da Uefa. O francês insistiu que não vai aceitar ter menos de 14 lugares para as seleções europeias em 2018, incluindo Rússia, e 13 no Catar. 

Mas a pressão sobre os sul-americanos não vinha apenas da Uefa. Outros continentes insistem que, se de fato o evento é global, não seria equilibrado manter um sistema em que quase metade dos sul-americanos vão ao Mundial. Blatter, em buscas de votos para sua reeleição, declarou diante dos países da Concacaf (América do Norte e Central) que a região deveria passar de três vagas e meia para quatro. "Se a Copa ficar com 32 times, defendo que a Concacaf tenha quatro lugares", disse.

Grupos, como o da Oceania com onze seleções, deixaram claro a Blatter que vão apoiá-lo se conseguirem pela primeira vez uma vaga automática no Mundial. A atitude de Blatter de sair em busca de votos usando o Mundial foi duramente criticada por seus adversários durante meses. "Minha preocupação é a de que essa decisão de vagas seja usada por razões políticas ao se fazer promessas que podem não ocorrer", alertou Ali bin Al Hussein, candidato derrotado. 

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