Blatter minimiza denúncias e nega crise na Fifa

Apesar das seguidas denúncias de corrupção que vêm atingindo a cúpula da Fifa, o presidente Joseph Blatter negou nesta segunda-feira que a entidade responsável pelo futebol mundial esteja em crise. O dirigente deverá confirmar seu quarto mandato à frente da Fifa na eleição desta quarta, depois da desistência do seu único concorrente, o catariano Mohamed bin Hammam.

AE, Agência Estado

30 de maio de 2011 | 16h30

"Crise? Que crise? O futebol não está em crise. Nós não estamos em crise, estamos apenas passando por algumas dificuldades que serão resolvidas - e serão resolvidas dentro desta família", declarou o presidente da Fifa, que admitiu o "grande prejuízo" causado à entidade pelas últimas denúncias.

Em tom ameno, Blatter disse ainda que as Copas do Mundo de 2018 e 2022, na Rússia e no Catar respectivamente, "não foram manchadas" pelas suspeitas de compra de votos durante o processo eletivo realizado em dezembro do ano passado. Denúncia de um jornal britânico revelou que membros votantes da Fifa receberam propina antes da eleição.

As suspeitas de corrupção sobre a escolha do Catar aumentou nesta segunda-feira, com a divulgação de um e-mail no qual o secretário-geral Jerome Valcke, número dois da Fifa, sugeriu que o país "comprou" o direito de sediar o Mundial de 2022, por intermédio do catariano Mohamed Bin Hammam, ex-candidato à presidência da Fifa. "Ele pensou que pode comprar a Fifa como eles compraram a WC [Copa do Mundo]", afirmara Valcke.

Horas depois, o secretário voltou atrás e disse que foi mal interpretado. Em sua defesa, ele afirmou que usou o verbo "comprar" para se referir ao alto investimento feito pela candidatura para fazer lobby em nome do Catar.

"Quando me referi à Copa do Mundo de 2022, o que quis dizer foi que a candidatura vencedora usou o seu potencial financeiro para angariar apoio e fazer lobby. Eles tinham um orçamento muito grande e se utilizaram disso para promover a candidatura do Catar por todo o mundo de uma maneira muito eficiente", explicou.

A divulgação do polêmico e-mail foi feita pelo vice-presidente da Fifa Jack Warner, que fora suspenso no domingo. Presidente da Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central e Caribe), Warner e Mohamed Bin Hammam foram afastados do futebol de forma provisória por conta de uma denúncia de pagamento de propina a membros da Associação Caribenha de Futebol. O suborno asseguraria votos em Bin Hammam no pleito da Fifa.

Bin Hammam acabou retirando sua candidatura, mas acusou o próprio Blatter de usar o mesmo expediente para conquistar votos na eleição. Investigado pelo Comitê de Ética da Fifa, o suíço foi absolvido no domingo, por falta de provas. Na mesma audiência, o Comitê suspendeu Bin Hammam e Jack Warner.

Estas decisões causaram irritação de alguns membros da Ásia, que ameaçaram boicotar o congresso que decidirá o futuro presidente da Fifa nesta quarta. Vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol, Yousuf al-Serkal criticou a punição a Bin Hammam, seu aliado, e reforçou a revolta contra o desempenho de Blatter à frente da entidade.

RECURSO - Horas depois de Bin Hammam anunciar que tentaria reverter a suspensão imposta no domingo, Jack Warner disse que consultaria um juiz suíço para avaliar a legalidade da punição, embora a Fifa proíba seus membros de obter decisões judiciais fora da esfera esportiva.

PATROCÍNIO - As denúncias envolvendo membros da Fifa poderão causar sérios prejuízos financeiros no futuro. Depois da polêmica sobre o e-mail de Jerome Valcke, a Coca Cola, uma das principais patrocinadoras da Fifa, mostrou preocupação com a imagem da entidade.

"As alegações que estão sendo levantadas geram angústia e não são boas para o esporte", divulgou a empresa, em nota. "Acreditamos que a Fifa resolverá essa situação de uma forma acertada". Mais cedo, a Adidas, outra patrocinadora da entidade, declarou que as suspeitas "não são boas para o esporte e nem para a Fifa e seus parceiros".

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