Blatter pede punição para jogadores

Após um início de desconfianças e de supostas ameaças, a Fifa começa a aceitar as investigações no futebol do Brasil conduzidas por duas CPIs. Nesta quinta-feira, na sede da entidade em Zurique, quatro deputados brasileiros entregaram ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, um documento contendo informações sobre a falsificação de passaportes de jogadores e sobre a transferência de atletas com idade inferior a 18 anos para países europeus.O interesse da Fifa foi tanto pelo estudo que a audiência com os deputados, que estava marcada para abril, foi antecipada para esta quinta-feira, antes da conclusão da reunião do Comitê Executivo da entidade. "Será um trabalho muito útil para a Fifa, pois vamos colocar os temas na agenda da entidade", afirmou Blatter para a Agência Estado."No início dos trabalhos da CPI, a Fifa chegou a dizer que o Brasil poderia ser até mesmo suspenso da próxima Copa do Mundo, mas estamos mostrando que nosso objetivo é contribuir para identificar os problemas do futebol", afirmou o deputado Eduardo Campos (PSB-PE).O fato é que a falsificação de passaportes e a transferência de menores, subprodutos das investigações da CPI, estão começando a preocupar os dirigentes da Fifa. Alguns dos empresários credenciados pela entidade estão envolvidos, o que estaria afetando a própria imagem da Fifa."Temos que garantir que a prática de falsificação de passaportes seja interrompida", afirmou Blatter. Para ele, porém, as punições devem envolver não apenas os clubes e empresários, mas também os jogadores. "Não acredito que jogadores de 20 anos de idade não sabem que seus passaportes estão sendo falsificados", argumenta.Blatter acredita que punições financeiras não são suficientes para acabar com o problema. "O clube que pratica a violação deve ter seus pontos retirados e os jogadores suspensos", sugere. Na avaliação do presidente da Fifa, as federações nacionais são as responsáveis pela aplicação das punições.Segundo o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Angel Villar, quatro casos de falsificação já foram identificados entre os clubes do país. Dois deles envolvendo brasileiros. "Estamos realizando uma investigação ampla para combater o problema", garantiu o dirigente.O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que liderou a viagem de parlamentares brasileiros a Zurique, defende o envolvimento do governo e das associações nacionais no tema. Já o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, tentou amenizar a questão, afirmando que o problema não tem relação com o Brasil. "Não são os brasileiros que falsificam os passaportes", avaliou. Segundo ele, os clubes europeus contratam os atletas como brasileiros e revendem como ?europeus?, com o passe valorizado.Os parlamentares contestam a tese de Ricardo Teixeira, lembrando que, em muitos casos, são agentes brasileiros que providenciam os passaportes alterados. Com relação à presença do presidente da CBF na reunião desta quinta-feira em Zurique, os deputados garantem que se tratou de uma iniciativa da própria Fifa. "Se ele (Teixeira) achou que nos intimidaria estando ao lado de Blatter, se enganou", revelou Eduardo Campos.Política - Sobre o envolvimento de políticos no futebol, Blatter foi diplomático, ressaltando que a CPI realizada no Brasil "é uma questão interna e que não cabe à Fifa comentar". Ele não deixou de citar, porém, que "o futebol é um dos palanques preferidos dos políticos".

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