Ennio Leanza/AP
Ennio Leanza/AP

Blatter e Platini têm processo aberto na Suíça por fraude de R$ 11 milhões na Fifa

Ex-presidente da entidade teria concordado com um pagamento milionário ao ex-dirigente, em esquema descoberto em 2015

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 10h45

A Justiça da Suíça abriu nesta quarta-feira o processo contra Michel Platini, de 66 anos, e o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, de 86, por fraudes na entidade. Segundo o Ministério Público do país, eles são acusados de obter ilegalmente 1,8 milhão de euros (cerca de R$ 11,84 milhões) dos cofres do órgão. Ambos devem comparecer ao tribunal de Bellinzona para prestar esclarecimentos nos próximos dias. 

Blatter e Platini viveram uma relação de altos  e baixos enquanto faziam parte da Fifa. A trajetória de ambos na entidade se encerrou em 2015, quando o escândalo teria acontecido. O dinheiro teria sido usado "em favorecimento" do ex-jogador francês, que, nos bastidores, se mostrava impaciente para suceder Blatter. O cargo acabou indo para Gianni Infantino, que segue no comando. 

Caso sejam considerados culpados, os dois podem pegar até cinco anos de prisão ou serem obrigados ao pagamento de uma multa pela infração aos cofres da Fifa. Materiais de processos na França, contra Platini, e na Suíça, contra Blatter, serão usados na acareação. 

Um ponto em comum entre as defesas e a acusação, porém, podem mudar os rumos do processo. Segundo a promotoria, Platini foi assessor de Blatter durante o primeiro mandato do suíço na presidência da entidade máxima do futebol e ambos assinaram um contrato em 1999 que estabelecia o pagamento de 300 mil francos suíços anuais ao ex-jogador "integralmente pagos pela Fifa". 

Platini, no entanto, cobrou da Fifa uma dívida de 2 milhões de francos suíços em janeiro de 2011, cerca de oito anos após encerrar seus trabalhos como assessor. O dinheiro teria sido pago pela entidade com a anuência de Blatter, o que para a acusação infringiu as regras do controle financeiro do órgão. 

A promotoria cita ainda a série de declarações enganosas de ambos os dirigentes sobre o caso. Eles insistem que desde o início dos trabalhos do ex-capitão da seleção francesa na Fifa, um acordo "de boca" foi feito entre os dois, sem a presença de testemunhas, firmando um salário anual de 1 milhão de francos. 

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