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Promotoria suíça pede um ano e oito meses de prisão para Blatter e Platini por fraude na Fifa

Ex-presidente da entidade teria concordado com um pagamento de R$ 11 milhões ao ex-dirigente e jogador francês, em esquema descoberto em 2015

Redação, AFP

15 de junho de 2022 | 11h41

A promotoria suíça pediu nesta quarta-feira, 15, um ano e oito meses de prisão contra o ex-jogador da seleção francesa Michel Platini, de 66 anos, e o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, de 86, acusados de obter ilegalmente 1,8 milhão de euros (cerca de R$ 11,84 milhões) dos cofres do órgão, em favorecimento do francês. 

O tribunal criminal federal de Bellinzona anunciará sua decisão sobre o caso no dia 8 de julho. O promotor Thomas Hildbrand não reivindicou uma sentença de prisão firme contra os dirigentes — que podem pegar até cinco anos. Por mais de quatro horas e meia, dedicou-se a desmantelar a tese de um "contrato oral" fechado entre ambos para um trabalho de assessoria realizado por Platini entre 1998 e 2002.

Blatter e Platini assinaram um acordo por escrito em agosto de 1999, que estipulava 300 mil francos suíços por ano pagos pela Fifa. Mas eles alegaram ter concordado em pagar mais 700 mil francos suíços anuais quando as finanças da organização permitissem. O processo deve seguir até 22 de junho, com as denúncias da Fifa -parte civil- e as defesas. 

Platini apresentou uma fatura de 2 milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) no início de 2011, assinada por Sepp Blatter e apresentada à Fifa como salário não pago. Acordar essas quantias sem deixar um registro escrito, sem testemunhas e sem nunca provisioná-las nas contas é "contrário aos usos comerciais" e aos costumes da Fifa, insistiu Thomas Hildbrand.

O escândalo veio à tona em 2015 e encerrou a trajetória dos dirigentes, que viveram uma relação conturbada ao longo dos anos, na entidade. Platini, ex-presidente da Uefa, vislumbrava suceder Blatter no comando da Fifa antes do caso ganhar as manchetes do muno da bola. A vaga acabou ficando com Gianni Infantino, que segue no cargo.

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