Walter Bieri/EFE
Walter Bieri/EFE

Blatter pode ser julgado por venda de direito das Copas da África e Brasil

A informação é de ex-assessor da própria Fifa, Mark Pieth

Estadão Conteúdo

14 de setembro de 2015 | 10h13

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, deve enfrentar uma investigação criminal pelas suposta venda abaixo do valor estimado dos direitos de transmissão da Copa do Mundo a Jack Warner, afirmou nesta segunda-feira Mark Pieth, ex-conselheiro anticorrupção da entidade. Mark Pieth, professor suíço de direito penal, disse que Blatter é alvo provável em investigação federal suíça sobre "má gestão criminosa" na Fifa. "Blatter tem de se defender contra acusações de peculato. Isso é um assunto que será preciso discutir", disse Pieth, sobre investigação que está sendo conduzida pelo procurador-geral da Suíça.

A emissora suíça SRF revelou na última sexta-feira que Blatter assinou um contrato em 2005 em que negociava os direitos de transmissão das Copa do Mundo de 2010 e de 2014 para a União Caribenha de Futebol, comandada por Warner, por um total de US$ 600 mil (aproximadamente R$ 2,3 milhões). Warner, então um dos vice-presidentes da Fifa e aliado de Blatter, licenciou os direitos para uma empresa controlada por sua família. Eles foram então vendidos por uma quantia relatada de cerca de US$ 20 milhões (R$ 77,5 milhões) para uma empresa de radiodifusão com sede na Jamaica.

O documento do contrato confirma a alegação da Warner em 2011, depois que ele deixou a Fifa sob acusações de envolvimento em suborno, de que a entidade o permitia controlar direitos de transmissão da Copa em troca de ajudar a Blatter nas eleições presidenciais. Warner foi indiciado em maio em uma investigação da Justiça norte-americana sobre corrupção no futebol envolvendo vários membros da Fifa, mas é uma apuração na Suíça que pode ameaçar Blatter. "Eles têm evidências primárias de provas. Isso significa que eles têm de abrir uma investigação", disse Pieth.

O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, ordenou a apreensão de grandes quantidades de dados e documentos na sede da Fifa em maio e junho para uma investigação originalmente focada na escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. "A investigação em Zurique é muito maior", disse Pieth, comparando as investigações na Suíça e nos Estados Unidos "É realmente sobre a totalidade da instituição e o que eles têm feito ao longo dos últimos 20 anos", acrescentou. "Há algumas coisas muito, muito complicadas escondidas que podem até mesmo ir para o ex-chefe, Joseph Blatter".

A Fifa defendeu o acordo sobre os direitos de transmissão no Caribe, alegando que exigiu metade do lucro quando as negociações fossem realizadas. O acordo de TV foi encerrado em julho de 2011, com a Fifa recuperando os direitos da Copa de 2014, após Warner deixar seus cargos na entidade, evitando ser punido por acusações de suborno. Ainda de acordo com a Fifa, a entidade do Caribe, controlada por Warner, "fez várias brechas no contrato e não cumpriu suas obrigações financeiras".

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.