Ballesteros/EFE
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Blatter pode ter cinco adversários na luta pelo comando da Fifa

Eleição será a mais concorrida em 110 anos. Oposição tenta acabar com reinado do cartola suíço, marcado por corrupção e escândalos

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2015 | 16h06

A Fifa terá a eleição mais concorrida em sua história de 110 anos, num esforço mundial para tentar derrubar Joseph Blatter do poder. O prazo para as inscrições de candidatos termina nesta quinta-feira, se nenhuma nova surpresa surgir, serão cinco cartolas e ex-jogadores que tentarão acabar com o reinado do suíço. O mais novo candidato é o ex-jogador português Luis Figo, que anunciou sua candidatura nesta quarta-feira. O processo, que termina com a votação em maio, está sendo marcado por acusações e ameaças.

Num esforço para derrubar o regime que está no poder, a estratégia montada pela oposição foi a de proliferar opositores. A meta é, acima de tudo, romper com as alianças que Blatter criou pelo mundo, em troca de favores, de estádios e de muito dinheiro.

Luis Figo justificou sua candidatura. "Eu estou preocupado com a imagem da Fifa e acho que é o momento para mudanças. Devo ao futebol o que sou e acho que chegou a hora de retribuir", afirmou. O ex-jogador, porém, admite que ainda não tem um "plano de governo''.

Outro europeu no páreo é o presidente da federação holandesa, Michael Van Praag, considerado como um dos nomes mais fortes. Em São Paulo, em junho no ano passado, ele lançou uma rebelião da Europa contra Blatter, insistindo que havia chegado a hora de o suíço "abrir espaço''. Nesta quarta-feira, ele apresentou seu projeto, que inclui medidas de transparência e, principalmente, tem o objetivo de aumentar o número de países na Copa de 32 para 40. A medida visa atrair os votos africanos, tradicionalmente aliados de Blatter.

"Blatter precisa sair. Ele não tem como liderar uma operação para modernizar a entidade'', disse Praag. "A Fifa perdeu toda a sua credibilidade é alvo de ataques de nepotismo, corrupção.''

O vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol, o príncipe Ali Hussein da Jordânia, é outro forte candidato. Irmão do monarca de seu país, ele conta com a rede diplomática árabe para tentar conseguir votos. Na Europa, é grande a simpatia pelo jordaniano, que promete uma Fifa "mais aberta''.

Hussein confirmou a estratégia da oposição de mostrar que existem muitos nomes para disputar o cargo de Blatter. "A entrada de Van Praag na corrida é bom para a democracia'', disse.

Mas é o ex-secretário da Fifa Jerome Champagne que tem o programa mais completo para o cargo. Com proposta concretas de reformas e até propondo um debate entre os candidatos, Champagne é tido como o homem mais bem preparado ao cargo. No entanto, sofre com a falta de apoio.

O ex-jogador francês David Ginola também anunciou sua candidatura. Mas como é  financiado por uma casa de apostas, sua jogada não é levada à sério. O chileno Harold Mayne-Nicholls, que liderou os trabalhos técnicos da Fifa no Catar e sugeriu que a Copa não fosse la, era outra esperança de se unir à corrida. Ele desistiu nesta quarta-feira, indicando que não tinha apoio suficiente.

CORRUPÇÃO

Envolvida em sua pior crise de corrupção em anos por conta da escolha do Catar como sede da Copa de 2022, a Fifa é atualmente também uma superpotência financeira. Mesmo com a crise mundial, a entidade acumula uma fortuna de mais de US$ 1,4 bilhão. Em 2014, a Copa do Mundo foi a mais lucrativa de sua história.

Mas, diante dos escândalos, a entidade começa a ver uma fuga de patrocinadores e a pressão sobre Blatter aumenta. O cartola que entrou para a Fifa em 1976, no entanto, insiste que seu trabalho "ainda não acabou''.

Sabendo que iria sofrer uma dura concorrência, Blatter modificou as leis da Fifa para impedir o surgimento de novas forças. Para que alguém se apresente como candidato, a pessoa precisa ter o apoio de cinco federações nacionais e provas de que atuou no futebol nos últimos cinco anos.

Como resultado disso, alguns dos concorrentes estão com sérias dificuldades para conseguir apoio. Champagne, por exemplo, chega a dizer que países estão sendo "ameaçados'' a não dar seu apoio a novos nomes.

 

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