Blatter quer limitar uso de tecnologia

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse nesta terça-feira em Montevidéu que a entidade vai autorizar o uso de inovações tecnológicas no futebol de maneira cautelosa e com muito critério. No Mundial Sub-17, encerrado no domingo no Peru, foi utilizada uma bola que, por meio de um dispositivo tecnológico, permite que os árbitros saibam se a bola passou ou não a linha do gol."Teremos uma segunda experiência similar no próximo mundial de clubes, e depois serão feitas as avaliações", afirmou o dirigente em entrevista coletiva. Segundo ele, o uso da tecnologia no futebol "não continuará avançando", porque no esporte "devemos saber viver com os erros que são também parte da paixão e da polêmica"."Os técnicos erram, os jogadores se equivocam e os juizes se equivocam, mas isso é parte do futebol. Uma parte importante", acrescentou.A pressão no futebol "é cada vez maior, seja pelo dinheiro que está em jogo, pela imagem, pela glória ou por tudo isso", disse Blatter."Na Fifa estamos trabalhando para que as arbitragens sejam cada vez melhores. Indicamos juízes profissionais para preservar o jogo e os próprios árbitros", destacou."Precisamos de uma arbitragem forte para cuidar do futebol porque sabemos que sempre está latente o risco de corrupção, especialmente por parte de organizações de apostas", disse Blatter.O dirigente qualificou o Mundial Sub-17 do Peru como "muito bom", por várias razões: "A experiência do uso do gramado artificial, que em princípio gerou algumas dúvidas, foi muito bem aceita. Futuramente, não se poderá mais recorrer à desculpa do campo ruim para os que jogam mal", acrescentou Blatter."Além disso, México, Brasil e Turquia mostraram excelentes jogadores, e a Holanda um grande futebol de conjunto", disse.A Fifa continuará apoiando o futebol das categorias de base, e no próximo Mundial Sub-17, que acontecerá na Coréia do Sul, o número de seleções participantes subirá de 16 a 24.O presidente da Fifa destacou ainda os planos de apoio às confederações regionais e federações nacionais."Entregamos US$ 10 milhões por ano para as confederações e US$ um milhão ao ano para as federações nacionais", explicou."Além disso, até o fim de 2006 todos os países terão um centro técnico de alto rendimento e um campo de gramado artificial construído com apoio da Fifa", acrescentou.Blatter deixou entrever que não é favorável ao atual sistema de todos contra todos para a disputa das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2006."Dezoito jogos para cada seleção é muito, devemos pensar nos jogadores e protegê-los", disse Blatter em referência às longas e freqüentes viagens a maioria dos jogadores sul-americanos que jogam em equipes da Europa faz para defender suas seleções.Hoje, o presidente da Fifa visitou hoje o Museu do Futebol Uruguaio e percorreu o Estádio Centenário e o Parque Central, que foram palco da primeira Copa do Mundo, disputada em 1930 no Uruguai.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2005 | 14h55

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