Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Blatter quer reduzir número de países sul-americanos em Copas do Mundo

Presidente da Fifa pretende aumentar vagas para africanos e asiáticos; Europa também perderia classificados

Jamil Chade - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2013 | 18h31

GENEBRA - A Eliminatória sul-americana para futuras Copas do Mundo pode se transformar em uma guerra. Isso porque, de olho em votos para sua nova eleição, Joseph Blatter propõe uma mudança na composição das seleções que são classificadas para o Mundial e sugere que europeus e sul-americanos abram mão de suas vagas para deixar mais espaço para asiáticos e africanos. A meta, segundo ele, seria "democratizar" o futebol. Mas imediatamente após a publicação de seus comentários na revista oficial da Fifa, seus inimigos alertaram que a medida tinha como objetivo ganhar a simpatia dos continentes africano e asiático em busca de apoios para sua eleição.

"Não pode ser que a Europa e a América do Sul tenham a maioria das vagas (18 ou 19), porque juntas representam menos associações membros (63 países) do que a Ásia e África (100 países)", afirmou Blatter em seu texto. Europa e África têm ambas mais de 50 países em seus continentes. Mas enquanto a Copa estipula 13 vagas para os europeus, existem apenas cinco vagas para africanos. "A África está lamentavelmente sub-representada na Copa do Mundo", disse. "Enquanto isso continuar acontecendo, as seleções africanas nunca poderão ganhar um troféu intercontinental, independentemente do seu progresso em campo", escreveu. "Esta situação imperfeita deve ser corrigida. No final do dia, uma chance igual para todos é o imperativo primordial do esporte de elite."

"De uma perspectiva puramente esportiva, eu gostaria de ver a globalização levada a sério, e as associações nacionais africanas e asiáticas recebendo o status que elas merecem na Copa do Mundo", disse. Uma das ideias que circula na Fifa é de que as quatro vagas e meia dadas à Conmebol sejam reduzidas para apenas quatro. Isso significaria que o Uruguai, no caso da atual disputa, estaria fora. Para 2018, apenas quatro vagas teriam de acomodar tradicionais equipes como Brasil, Argentina, Uruguai, Colombia, Chile e Paraguai. Outra ideia é a de penalizar os europeus, retirando pelo menos duas vagas, que seriam dadas para a África e Ásia. Michel Platini, presidente da Uefa, já deixou claro que o continente já reduziu seu peso no Mundial e que a representação exagerada é dos sul-americanos. Num continente com onze países, cinco tem a chance de ir para a Copa.

CRÍTICAS

Para seus críticos, a Copa não é questão de democracia, mas sim de competência. Entre os dez primeiros países no ranking da Fifa, todos vêm da Europa e América do Sul. Todos os Mundiais até hoje foram conquistados apenas por essas duas regiões. Das 30 melhores seleções do mundo, não existe nenhuma asiática. A melhor posição já atingida por uma seleção africana num Mundial foi chegar às quartas de finais. 

Mas  Blatter, com o anúncio, sai em busca de apoio de votos africanos e asiáticos que, juntos, representam metade dos eleitores da Fifa. Em jogada estratégica, Blatter deixa seu maior concorrente, Platini, em uma posição difícil. Como presidente da Uefa, não pode aceitar ver uma redução no número de postos para a Europa na Copa. Mas, como candidato para a Fifa, tem também de agradar aos africanos e asiáticos. Para observadores, Blatter adota a mesma tática de seu mentor, João Havelange. Nos anos 1970, o brasileiro bateu os candidatos europeus na eleicao para a Fifa justamente buscando o apoio da África e Ásia, mesmo que isso significasse jantar com tiranos.

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