Silvia Izquierdo/AP
Silvia Izquierdo/AP

Blatter vira 'chefe de estado' no Rio

Habituado a circular pela Suíça com apenas um motorista, presidente da Fifa é tutelado por forte aparato de segurança

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2013 | 08h05

RIO - Cada vez que ele sai de seu hotel em Copacabana, quatro policiais em motocicletas e um carro com seguranças armados interrompem o trânsito na movimentada avenida Atlântica para que seu comboio possa passar, ao som de protestos e buzinas de motoristas que nem sequer sabem quem é a personalidade que vai passar.

 

Não se trata de um chefe de estado ou de um monarca, mas do cartola suíço Joseph Blatter que, desde que chegou ao Rio de Janeiro na última quinta-feira, vem impressionando pelo tamanho de sua delegação e a dimensão do dispositivo de segurança montado para protegê-lo.

 

Na Suíça, Blatter não tem esses privilégios. Conta com um carro com motorista, mas não dispõe de qualquer tratamento diferenciado. Seja em Zurique ou em sua terra natal nas montanhas do Valais, onde estão localizadas algumas das estações de esqui mais badaladas do mundo, o cartola não tem nem seguranças e muito menos alguém para segurar o trânsito.

 

Desde que chegou ao Rio de Janeiro, porém, sua movimentação pela cidade é radicalmente diferente. Na última sexta-feira, ao se reunir com a presidente Dilma Rousseff no III Comando da Marinha Regional no Rio de Janeiro, a delegação de Blatter se confundia com o próprio comboio da chefe de estado.

 

Para ir até o local militar, Blatter foi acompanhado por nada menos que sete carros, além das motocicletas abrindo caminho ao som de sirenes. Dilma chegaria logo depois, com uma caravana similar à de Blatter.

 

No hotel em que está hospedado, o Estado contou pelo menos dez seguranças para garantir sua proteção, entre homens da Polícia Federal, policiais locais e seguranças privados contratados pelo hotel e que circulam armados pelo lobby do local de luxo.

Blatter, dono da Copa e tendo imposto uma série de exigências ao Brasil nos últimos anos, não disfarça sua satisfação em relação a parte da preparação do evento: o sucesso de marketing e de lucros do Mundial. A Copa de 2014 será a mais rentável da história da entidade.

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