Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia
Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia

Bobô relembra título do Brasileirão de 1988: 'Não esperava uma festa tão grande'

Ídolo do clube baiano diz que time pode sonhar em conquistar a taça mais uma vez

Clara Rellstab, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 04h30

O ex-atacante Bobô relembra, em entrevista ao Estado, os 30 anos da conquista do Campeonato Brasileiro do Bahia em 1988. Para chegar ao tão cobiçado título nacional, o Bahia fez 22 jogos, venceu 13, empatou quatro e perdeu cinco. O time fez 33 gols e sofreu 23. A grande final, com o Internacional, foi disputada em fevereiro de 1989. Naquele tempo, o Campeonato Brasileiro não era disputado pelo atual sistema de pontos corridos, que começou na temporada de 2003.

Entre o primeiro título de 1959 até 1988 se passaram 30 anos, considerando que o título só chegou às mãos do clube em 1989. Há, novamente, um intervalo de 30 anos. O Bahia ainda pode sonhar em ganhar um campeonato nacional?

Eu acho que pode e deve. O Bahia tem a obrigação de sonhar com outro título nacional pela grandeza do clube. Passaram-se 30 anos e, se for pensar assim, já está chegando mais um título aí (risos). É óbvio que há uma dificuldade maior, era uma conjuntura diferente, não era por pontos corridos. Acho que essa diferença econômica dos clubes impõe uma condição mais difícil para a gente conquistar o título, mas o Bahia tem a obrigação sim de estar sonhando em mais um campeonato nacional, seja a Copa do Brasil ou o Brasileirão. Tem obrigação pelo tamanho do clube e a importância do Bahia.

O título de 1988 te traz qual lembrança?

Caramba! Eu acho que a festa. A chegada em Salvador, é uma das coisas que mais me marcaram, a gente não esperava que seria uma festa tão gigantesca. Foram milhares e milhares de pessoas aguardando no Aeroporto de Salvador. É uma das coisas que ainda estão muito frescas na minha memória: abrir a porta da aeronave e ver aquela multidão de gente na pista.

Qual foi o seu melhor gol daquela temporada?

Acho que os dois gols do título, contra o Internacional, em Salvador. Marcou muito os 2 a 1 da partida de ida, depois de o Inter ter aberto o placar na nossa casa. Mas o melhor jogo da temporada (e eu diria da história do Bahia) foi a semifinal contra o Fluminense, recorde de público da Fonte Nova até hoje (110.438 presentes). Ali tivemos a certeza de que seríamos campeões.

Evaristo de Macedo, atleta e técnico da seleção brasileira, foi o comandante do Bahia naquele ano. Qual é a maior contribuição dele para o título?

Evaristo foi um tático, o arquiteto da campanha. Fez um trabalho realmente espetacular de autoestima nos atletas, fazendo a gente acreditar cada vez mais que era possível conquistar o título. Falar do Evaristo é falar de um campeão brasileiro num time do Nordeste, é difícil disso acontecer.

Existem algumas lendas sobre aquela conquista, mas uma delas é bastante curiosa. Houve mesmo macumba do adversário no vestiário do Beira-Rio?

Teve. Quando a gente chegou no vestiário, encontrou um trabalho feito por um pai de santo gaúcho. Mas o pessoal do estádio limpou, não deixou a gente entrar. Era uma época que tinha muito isso, falavam muito da Bahia, de macumba e etc, e como a gente ganhou no jogo de ida, eles quiseram dar o troco. Mas não funcionou muito bem, né? Acabou no 0 a 0 (risos).

Falando do atual cenário do tricolor baiano, como o senhor avalia a gestão de Guilherme Belintani na presidência do clube?

Acho que ainda é muito cedo para opinar com clareza. Belintani começou esse ano um trabalho importante e tem conseguido se dar bem - muito por conta do bom trabalho anterior de Marcelo Sant’Ana. Agora é focar no futebol, já que o Bahia, como a maioria dos clubes brasileiros, se resume a resultados. E o que vai definir o sucesso ou não de Belintani no cargo é o futebol. E isso ainda não está bacana. A questão das finanças ele melhorou, o clube está melhor, mas a gente ainda não está vendo a melhora no futebol.  No Bahia, o resultado de campo é fundamental no parecer final de uma gestão. Então vamos esperar o Bahia sair dessa situação e começar a pensar grande novamente. Nós temos a obrigação de sonhar com o título nacional, mas para isso a gente tem de arrumar as coisas no futebol.

"Quem não amou a elegância sutil de Bobô”, escreveu Caetano Veloso, na canção Reconvexo. Onde o senhor ouviu a faixa pela primeira vez?

Eu estava em São Paulo, já jogando no São Paulo, e dando entrevista para a Jovem Pan com Milton Neves. Ele fez uma entrevista muito demorada e no final, em agradecimento, disse que ia me dar um presente, e me mostrou a música. Pra mim foi uma surpresa enorme, eu nunca tinha ouvido, ainda não tinha sido mostrada oficialmente. Foi muito prazeroso, principalmente depois de uma entrevista de uma hora (risos). Uma música falando de mim, ainda mais de Caetano... Fiquei lisonjeado e falei: Pô, agora sim eu estou imortal.

 
 

 

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