Boca aposta na ?força do conjunto?

A crise financeira que domina a América do Sul enfraqueceu o Boca Juniors que enfrenta o Palmeiras nesta quinta-feira, na primeira partida da semifinal da Copa Libertadores da América. O time perdeu muita força em relação ao que venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes no Japão no ano passado. Estrelas como Palermo, Samuel, Arruabarena e Basualdo foram negociadas e deixaram a equipe. Recebendo US$ 1 milhão por ano, o técnico Carlos Bianchi montou um time competitivo, sem muito brilho e que, graças à garra e à pressão do estádio Bambonera conseguiu chegar à semifinal da competição. "Nosso maior mérito é o conjunto. Nosso time tem uma consciência tática e a respeita. Talento, estratégia e vontade de vencer. Seja contra qualquer adversário, contra o Palmeiras não será diferente. Vale uma vaga para a final da Libertadores. Ainda mais no nosso estádio, diante da nossa torcida", resume o político Bianchi. Ainda que os ?barras-bravas? prometam empurrar o time e intimidar os brasileiros na Bombonera, o potencial do Boca caiu muito. Na Libertadores deste ano, o time só conseguiu vencer uma vez por diferença de mais de um gol. Foi contra o desesperado Vasco que precisava vencer em Buenos Aires e perdeu por 3 a 0. Os argentinos foram goleados pelo Deportivo Cali por 3 a 0 e empataram com o Junior Barranquila por 1 a 1 em plena Bombonera. Marcando forte sob pressão os adversários e usando muito a velocidade nos contragolpes, o Boca Juniors aposta na garra para chegar à decisão da Libertadores. "Nós vamos tentar fazer o placar aqui na Argentina. Se conseguirmos vencer por uma goleada, em São Paulo é só administrar o resultado. Nessa hora decisiva, a vontade de conquistar contagia o nosso time. Temos de buscar o resultado e iremos fazer tudo em campo para ganhar. Abrimos mão do Campeonato Argentino para ficar com esse título. E a decisão acontecerá nesta primeira partida", aposta o provocador Schelotto. Mas não há só confiança no time argentino. A maior estrela do time é o meia Riquelme. Habilidoso, ele está perturbado porque o Barcelona está comprando 50% do seu passe por US$ 11 milhões e seu rendimento caiu muito nesta temporada. "A minha transação para o Barcelona está para ser concluída. Não posso dizer que um negócio desse vulto não mexe com o lado psicológico de um jogador. Estou tentando fazer com que não atrapalhe. Sei o quanto significo para o Boca. Ainda mais nestes jogos da semifinal contra os brasileiros do Palmeiras. Vou me concentrar para vencê-los", dizia o meia, sem convicção.A estratégia do Boca será a mesma utilizada contra o Vasco. Há um pensamento dominante no clube que os brasileiros não suportam pressão. Então Villareal deverá marcar Alex individualmente enquantos o restante da equipe tentará sufocar o Palmeiras desde a saída de bola. Com o apoio da torcida, a ordem de Bianchi não é só vencer a partida, como golear. A confiança dos argentinos é imensa. A maioria deles temia muito mais o Cruzeiro, de Luiz Felipe Scolari.O grande desfalque será o atacante Delgado que se contundiu jogando pela Seleção Argentina contra a Colômbia. Bianchi, apostando que o Palmeiras terá três volantes, optou pelo atacante fixo Barijho. "Estamos encarando a partida como se fosse a final da Libertadores. Se pudermos vencer por dez gols de diferença, vamos fazê-lo", resume o volante colombiano Serna. A equipe deve enfrentar o Palmeiras com: Córdoba; Ibarra, Bermúdez, Burdisso e Matellán; Villareal, Serna, Traverso e Riquelme; Schelotto e Barijho.

Agencia Estado,

06 de junho de 2001 | 17h17

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