Diego Izquierdo / AFP
Diego Izquierdo / AFP

Boca é campeão em temporada conturbada na Argentina

Com novo formato, greve de atletas e surpresa no G5, time azul e ouro conquista o torneio

Luis Filipe Santos, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2017 | 10h16

O Boca Juniors conquistou seu 32º título do campeonato argentino na noite desta terça-feira (20/06), sem precisar jogar. O único time que poderia alcançá-los, o surpreendente Banfield, foi derrotado pelo San Lorenzo e não conseguirá alcançar a pontuação do time ‘xeneize’.  A equipe azul e ouro assumiu a ponta do campeonato na décima quinta rodada e não largou mais, mesmo com a aproximação do grande rival River Plate, que chegou a ficar a apenas um ponto de distância. A equipe de Nuñez, porém, tropeçou em três jogos consecutivos, viu o Boca abrir uma diferença significativa na reta final.

Para ser campeão, o Boca Juniors teve que superar a saída de Tévez para a China, no final de 2016. Apesar do impacto da perda do grande ídolo, a equipe de Guillermo Schelotto pode contar com os 18 gols de Benedetto, artilheiro da competição, com o grande número de chances criadas por Pavón e Centurión e com a solidez dada ao meio campo do time por Fernando Gago para manter a regularidade e segurar a ponta até o fim do campeonato.

Já o River Plate, comandado por Marcelo Gallardo, começou bem o torneio, mas teve uma fase ruim e se afastou da ponta, saindo até mesmo do G4. O time conseguiu se recuperar após a parada de final de ano e deu uma grande arrancada, batendo o arquirrival em La Bombonera e ficando a apenas um ponto do líder. Mas viu o Boca Juniors se distanciar novamente após empatar com o Rosario Central e ser derrotado por San Lorenzo e Racing, e agora não pode mais ser campeão. Os principais destaques do time são os atacantes Driussi, vice-artilheiro do torneio com 17 gols, e Alario, que anotou 12 tentos.

Greve e novo formato

O campeonato foi afetado por uma longa greve dos atletas, no começo de 2017. Os jogadores ficaram um mês parados, reivindicando o acerto de salários atrasados. O dinheiro deveria vir da rescisão de contrato com o programa Fútbol Para Todos, através do qual o governo de Cristina Kirchner comprou os direitos de televisão do torneio e passou a transmitir os jogos, entre 2009 e 2017 - com a chegada de Mauricio Macri à presidência, o programa foi encerrado, porém, o dinheiro demorou a cair na conta dos clubes. Por isso, os atletas, revoltados com o atraso dos pagamentos, se negaram a entrar em campo, e o campeonato só retornou quando as pendências foram quitadas. Um novo acordo de televisão foi fechado com as emissoras Fox Deportes e Turner, por quase o dobro do que era pago pelo governo.

Para se adaptar ao calendário europeu, a AFA realizou campeonato “relâmpago” em 2016, com duração de apenas seis meses, seguido do formato atual - 30 times jogando todos contra todos em turno único, além de uma rodada extra para os clássicos, com mando invertido em relação ao primeiro disputado. Depois de um torneio com diversas surpresas, como o Lanús sendo campeão e o pequeno Atletico Tucuman conseguindo uma vaga na Libertadores pela primeira vez em sua história, a edição 2016-17 trouxe de volta as maiores agremiações do país às primeiras posições - além de Boca e River, San Lorenzo, Newells Old Boys e Independiente brigam por vaga na Libertadores.

A exceção é o Banfield. O pequeno clube da cidade de Lomas de Zamora,  vizinha de Buenos Aires, faz grande campanha, com a segunda colocação na tabela, cinco pontos atrás do Boca Juniors, e com grande probabilidade de ir à Libertadores. O clube sofreu com a greve, que acabou causando as saídas de Erviti e Santiago Silva, desgastados com a diretoria, mas buscou outros jogadores experientes, como Cvitánich e Renato Civelli. Assim, encontrou sua força na mescla entre jovens da categorias de base e atletas rodados, além das variações táticas utilizadas pelo técnico Julio Cesar Falcioni.

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