Marcos Brindicci/Reuters
Osvaldo, do Boca, encara Sánchez durante clássico do último domingo Marcos Brindicci/Reuters

Boca e River iniciam confronto pela Copa Libertadores

Rivais disputam permanência e vão se enfrentar três vezes em dez dias

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 07h00

Além da grande final, pelo menos mais dois jogos da atual edição da Copa Libertadores certamente vão ficar guardados na história. O primeiro desses confrontos inesquecíveis está marcado para esta quinta, às 21h, em Buenos Aires, onde o River Plate recebe o Boca Juniors, no início da batalha por uma vaga nas quartas de final, cujo desfecho será na próxima semana, em La Bombonera.

A rivalidade de mais de cem anos e o momento dos clubes fazem o encontro ser ainda mais especial. As duas equipes se enfrentaram domingo pelo Campeonato Argentino, com vitória do Boca por 2 a 0, e vão se encontrar ainda mais duas vezes pela Libertadores.

A série de três confrontos em dez dias aumentou a tensão e fez os dois rivais preparem provocações mútuas. O mandante do jogo desta quinta, o River Plate, decorou o túnel que dá acesso ao vestiário do visitante no Monumental de Nunez com imagens do estádio lotado e de festa da torcida.

O Boca Juniors agiu pela internet. No Twitter oficial, o clube publicou imagem de uma nave espacial com o escudo do time em rota ao estádio do rival acompanhada da frase: "Uma viagem a terras hostis". O contexto faz referência à torcida única, medida adotada por precaução da violência na Argentina.

As campanhas opostas na fase de grupos da competição sul-americana dão aos visitantes a condição de favoritos. O Boca Juniors teve o melhor retrospecto entre todos os participantes, ao ganhar os seis jogos, mesmo poupando os titulares nas últimas rodadas. Enquanto isso, o River Plate penou para avançar e fez a pior campanha entre os 16 restantes na briga pelo título. Apesar disso, no último encontro por torneios continentais, o River levou a melhor. A equipe passou pelo rival na semifinal da Sul-Americana do ano passado, quando o goleiro Barovero ainda defendeu um pênalti de Gigliotti.Gols da partida do último domingo entre Boca x River

Ganhar a Libertadores é ainda uma obsessão por diferentes objetivos. O Boca sonha em chegar ao sétimo título e igualar o Independiente, maior campeão da história da competição. No caso do River, ser campeão significa se reerguer do vexame vivido em 2011, quando caiu para a segunda divisão da Argentina.

ELENCOS

Até mesmo os treinadores são personagens opostos e se enfrentaram diversas vezes quando eram jogadores dos mesmos clubes. Marcelo Gallardo era um meia de técnica refinada no River e costumava enfrentar a marcação do lateral Rodolfo Arruabarrena, do Boca. O jogo também é um duelo de atacantes renomados. Da equipe da casa, a esperança é o colombiano Teo Gutiérrez. O time de La Bombonera aposta no ítalo-argentino Daniel Osvaldo, ex-Roma, e na criação do ex-jogador do Corinthians Lodeiro.

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Histórico de River x Boca tem aposentadoria de Maradona e mortes

Superclássico guarda rivalidade centenária e jogos marcantes

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 07h00

A centenária rivalidade entre os principais times do futebol argentino guarda curiosidades intrigantes. Talvez a maior delas seja que o brasileiro Paulinho Valentim seja o maior goleador do Boca Juniors no clássico, com dez gols, contra os 22 do herói do River Plate, Angel Labruna. Dos mais de 300 encontros entre as equipes de Buenos Aires, como o da noite desta quinta, pela Copa Libertadores, o Estado escolheu os cinco mais marcantes.

1931 - A briga inaugural

No primeiro encontro pela era profissional, as duas equipes foram até o tribunal para decidir o vencedor. O Boca Juniors vencia por 1 a 0 quando os jogadores do River Plate reclamaram de falta no goleiro no lance do segundo gol. O árbitro manteve a decisão e expulsou três atletas por reclamação, que por se negarem a sair do campo, foram retirados à força pela polícia. Em represália ao ato, o restante do time do River também foi para o vestiário e as torcidas começaram a brigar nas arquibancadas. O jogo foi encerrado e dias depois a Associação Argentina declarou o Boca vencedor.

1968 - A tragédia

Cerca de 90 mil pessoas foram ao Monumental de Nuñez para acompanhar o empate sem gols. Para ir embora, torcedores do Boca encontraram uma das saídas fechadas e um tumulto se formou. O portão 12 do estádio não estava aberto e as pessoas começaram a se espremer para sair. Na confusão, 91 pessoas morreram pisoteadas ou asfixiadas e mais 113 ficaram feridas. Até hoje não se sabe o motivo de os portões estarem fechados.

1997 - De Maradona para Riquelme

A última partida profissional de Diego Armando Maradona foi no estádio do Rival. Naquele Boca e River pelo Campeonato Argentino, o maior ídolo do futebol, então prestes a completar 37 anos, jogaria apenas o primeiro tempo. Na vitória de virada por 2 a 1, o camisa 10 foi substituído pelo então jovem Juan Roman Riquelme, de apenas 19 anos.

2004 - Encontro na Libertadores

Quatro anos depois de se encontrarem nas quartas de final da competição, os rivais dessa vez disputariam vaga na decisão. Foram dois jogos com torcida única, por questão de segurança, e o primeiro deles em La Bombonera, templo do Boca. Em dois encontros foram sete expulsões e em uma delas o meia Gallardo, atual técnico do River e na época meia do time, voltou a campo somente para agredir o goleiro adversário. A segunda partida, disputada no Monumental de Nuñez, ficou marcada pela comemoração de um gol do Boca em que Tevez imitou uma galinha para provocar os rivais. Ao fim da disputa, novamente a equipe de La Bombonera levou a melhor, nos pênaltis.

2014 - Revanche pela ressurreição

Os anos anteriores haviam sido muito duros para o River Plate. Rebaixado para a segunda divisão e em crise financeira, a equipe retomou o caminho vitorioso na campanha da Sul-Americana. O clube conquistaria o título de forma invicta e ainda precisou superar o rival na semifinal, algo que jamais havia ocorrido em mata-mata. No primeiro jogo, em La Bombonera, os adversários produziram pouco e ficaram no 0 a 0. A partida de volta tinha só 20 segundos quando o Boca teve um pênalti a seu favor. Gigliotti bateu e o criticado goleiro Barovero saltou para defender. O time da casa ganhou confiança e passou a dominar a partida, até ganhar por 1 a 0, graças ao gol de Pisculichi.

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