'Boca joga e não faz balé', diz autor de livro sobre o Boca Juniors

Martín Caparrós conta que torcida boquense é passional e prefere ver jogadores dando o sangue a espetáculo em campo

Ariel Palacios, correspondente, estadão.com.br

26 de junho de 2012 | 18h38

BUENOS AIRES - Martín Caparrós, um dos mais refinados ensaístas da Argentina, é fanático pelo Boca Juniors e autor de "Boquita", o primeiro grande ensaio histórico-sociológico-filosófico sobre o clube, editado em 2005. Caparrós declarou ao estadão.com.br que o Boca Juniors "joga" e não faz "balé". Leia a entrevista:

Caso alguém que aprecie o futebol pretenda ver algo popular, ou, digamos "telúrico", precisaria estar sentado no meio da torcida do Boca?

Os torcedores do Boca querem suor, sangue. Exigem que os jogadores nunca se considerem vencidos. Essa torcida não se interessa pelo "balé" do futebol. Ela quer resultados. Só aceita as coisas mais "decorativas" quando o triunfo já está assegurado. Se você sentar no meio da torcida do River Plate, será algo parecido a estar em um estádio da Europa, como o Santiago Bernabéu, do Real Madrid. Os comentários serão contidos, sóbrios... "Veja só como joga bem aquele rapaz", por exemplo. Mas, os torcedores do Boca são passionais. Às vezes aplaudem um jogador nos primeiros cinco minutos. Dez minutos depois o estão xingando pra valer...

Já que não existe, segundo afirma, uma descrição coreográfica – digamos assim, um Bolshoi do futebol - para ilustrar o "estilo Boca" de jogar, poderia utilizar uma metáfora?

Poderíamos dizer que é a forma de jogar com "huevos" (ovos). Isto é: a de colocar todo o esforço possível. É a repetição, no campo, do esforço dos antepassados imigrantes, que vinham da Itália e que trabalhavam duro para vencer na vida.

Como poderiam ser classificados os torcedores argentinos, do ponto de vista das predileções por times?

O sociólogo Artemio López afirma que existem duas posições. Uma é ser torcedor do Boca. A outra consiste nas diversas formas nas quais o resto dos argentinos encontra um jeito de suportar o fato de que não é torcedor do Boca...

O nome de seu livro, é "Boquita" (Boquinha), no diminutivo, que é a forma com a qual muitos dos torcedores se referem ao time...

É uma forma carinhosa, brega e até meio marica...(risos). É a forma que o torcedor do Boca tem de mostrar que é tão macho que até pode se dar o luxo de dizer "Boquita".

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