Bola de Ouro concedida a Cristiano Ronaldo gera polêmica na Europa

Erros na computação de votos de alguns técnicos coloca premiação sob suspeita

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2014 | 19h50

ZURIQUE - Poucas vezes a conquista de uma Bola de Ouro foi tão polêmica como a desta semana para Cristiano Ronaldo. Nesta terça-feira, alguns jornais europeus e principalmente meios de comunicação de Barcelona alertaram que o prêmio estaria "sob suspeita". Técnicos teriam declarado que a Fifa não computou os votos deles da maneira correta e um deles - do Catar - teria declarado que foi instruído por sua delegação a votar por Cristiano Ronaldo como forma de limpar a imagem de Joseph Blatter.

Na conta final, o português ficou com 27,9% dos votos, contra 24% para Lionel Messi, numa das disputas mais acirradas em anos. Jupp Heynckes, ex-técnico do Bayern de Munique, o presidente do clube e até Michel Platini se queixaram do procedimento. Ontem, o francês Franck Ribéry, que chegou na terceira posição, também se queixou, apontando que nem o fato de ele ter conquistado cinco títulos no ano foi suficiente para que ele ganhasse a premiação.

Mas foi em Barcelona, cidade dos rivais do Real Madrid, que a imprensa esportiva levantou as suspeitas mais graves, ainda que sem confirmações e com a Fifa se recusando a falar sobre o assunto.

Segundo o programa 'Esports en Xarxa', técnicos como Xabier Azkargorta e Andoni Goikoetxea garantem que os votos que aparecem em seus nomes na lista oficial da Fifa não são o que eles deram. A mudança teria ajudado Cristiano Ronaldo.

Ontem, antes mesmo do anúncio, o diretor de Comunicação da Fifa, Walter de Gregorio, fez questão de insistir que não havia como mudar e que cada técnico assinou um papel confirmando seus votos.

O técnico de Fiji, Juan Carlos Buzzetti, foi outro que disse ao programa que havia votado originalmente por Cristiano Ronaldo, mas seu voto apareceu como se tivesse ido para Messi. O técnico do Kuwait, Jorvan Vieira, seria outro queixoso, alertando que não votou por Neymar, como estaria na versão final. Ele também aponta que os pontos de Ronaldo estariam errados. "Deve ter havido algum engano", disse.

No caso do treinador da República Dominicana, Domingo Hernández, seu voto era para Cristiano Ronaldo, Messi e Ribéry. Mas acabou saindo para Ribéry, Cristiano y Falcao. Casos similares ocorreram com técnicos de Vanuatu e Bolívia.

No caso do polêmico Goikoetxea, seus votos teriam desaparecido na contagem final. O espanhol treina o time de Guinea Equatorial.

FAVOR

Já a ESPN trouxe hoje uma outra revelação: a de que o voto do técnico do Catar, Al Zarra Fahad, teria sido dado depois de receber uma ordem do presidente da federação do país, Hamad Bin Khalifa Bin Ahmed Al-Thani. O gesto de votar por Cristiano Ronaldo seria uma forma de limpar a imagem de Joseph Blatter, presidente da Fifa.

O cartola zombou do português em um evento público, o que levantou dúvidas sobre uma eventual manipulação da eleição nos últimos anos para garantir a vitória de Messi. "Eu recebi a ordem do meu presidente para votar em Cristiano Ronaldo para limpar sua imagem, como um agradecimento por trazer a Copa do Mundo para cá", afirmou.

A escolha do Catar para sediar a Copa de 2022 promete ser um tormento para a Fifa nos próximos anos. Ontem, além do técnico do Catar, o capitão e o representante da mídia do país também deram seus votos para o português.

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