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Bolas falsificadas da Copa que foram apreendidas vão virar cimento

Produtos são tão tóxicos que não podem ser incinerados: são mais de 200 mil bolas

Zuleide de Barros, especial para o Portal, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 20h12

SANTOS - As mais de 200 mil bolas de futebol falsificadas apreendidas no Porto de Santos vão virar cimento. Foi o que disse nesta quarta a gerente de proteção à marca da Adidas, Elisa Gattas. O material, apreendido pela Receita Federal como resultado da Operação Gol de Letra, é tão tóxico que não pode ser incinerado. "O material será encaminhado para uma empresa de processamento e reciclagem e vai se transformar em matéria-prima para a indústria de cimento", disse Elisa.

A Gol de Letra vinha sendo planejada desde o ano passado, em razão da proximidade da Copa das Confederações. As cópias apreendidas incluem modelos como a Cafusa, bola oficial do torneio e da Jabulani, utilizada no Mundial de 2010. Também foram recolhidas bolas semelhantes às da Eurocopa de 2012.

Procedentes da China, as bolas falsificadas são muito parecidas com as oficiais, mas foram confeccionadas com material considerado tóxico porque a tinta pode conter chumbo e outros componentes nocivos à saúde. As bolas originais são fabricadas na Indonésia, China e Paquistão. Durante entrevista concedida ontem, no Armazém 36 da Libra Terminais, onde o material foi reunido em um contêiner, o inspetor-chefe da Alfândega, Cleiton Alves Santos João Simões, explicou que mesmo antes de o navio chegar ao Brasil, uma equipe especializada já havia feito uma análise de risco do material, que teria como destino o comércio popular.

A Adidas, que produz a bola oficial, foi contatada e constatou a fraude. Enquanto a bola oficial seria comercializada a preços que variam entre R$ 69,00 e R$ 99,00, as falsificadas chegariam a um preço final de R$ 20,00. A bola a ser utilizada nos campos de futebol tem um custo bem maior: R$ 400,00. O importador não foi identificado por uma questão de sigilo fiscal, segundo o inspetor Simões. Ele não será multado, mas vai arcar com um prejuízo calculado em R$ 4 milhões.

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