Boleiros festejam e críticos alertam para corrupção na Copa-2014

Grande parte dos "boleiros" está emfesta com a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de2014, enquanto os críticos alertam para a falta detransparência e a eventual corrupção na gestão dos recursospara preparar o grande evento. "Valeria a pena se tivesse gente séria, uma gestãotransparente, com objetivos de melhorias sociais. Mas do jeitoque está vai ser uma roubalheira", dispara o ex-jogadorSócrates, crítico da administração da Confederação Brasileirade Futebol (CBF), presidida por Ricardo Teixeira há 18 anos. Sócrates é um caso raro entre ex-jogadores, dirigentes,técnicos e atletas, que, em geral, aplaudiram a decisão daFifa, anunciada nesta terça-feira. Mario Jorge Zagallo, campeão mundial como jogador, técnico,e auxiliar-técnico, comemora a chance de o Brasil jogar umMundial em casa depois de tanto tempo -- o país sediou a Copade 1950. Torcedor ferrenho da "amarelinha", Zagallo vê o sextotítulo mundial mais perto. "Das cinco Copas conquistadas, oBrasil não ganhou em casa. É o único (campeão mundial) que nãoganhou em casa. Vamos ver se em 2014 repetimos o que os outrosfizeram", disse ele à Reuters. "Tem sete anos pela frente para construir estádios,principalmente no Nordeste, onde vai ter sede da Copa",acrescentou ele, sem querer entrar na discussão sobre de ondesairia o investimento. A administração do dinheiro, no entanto, preocupa acomentarista esportiva e vereadora por São Paulo SoninhaFrancine (PPS). A confirmação do Brasil como sede da Copa deixaa vereadora dividida. "Ao mesmo tempo que eu acho legal pela história que a gentetem no futebol, eu acho super temerário. Quando se fala desomas de dinheiro como o necessário para disputar uma Copa doMundo e tudo que gira em torno dela, não tem como não temerpelo nosso histórico de corrupção no setor público, setorprivado." Soninha criticou a organização do futebol brasileiro,citando dificuldades para comprar ingresso e entrar e sair dosestádios. Ela se disse a favor do investimento do setor públicoem infra-estrutura, mas não em reformas de estádios. Para Sócrates, a CBF não conseguirá recursos suficientes dainiciativa privada e o dinheiro "vai sair do nosso bolso maisuma vez", como nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, emjulho deste ano, quando o governo federal bancou a maior partedos mais de 4 bilhões de reais gastos. Um dos legados do Pan foi a reforma do estádio do Maracanã,que ainda assim segue fora dos padrões exigidos pela Fifa. Oex-jogador Bebeto elogiou, mas disse que "ainda tem a questãodo estacionamento, da segurança". "Tem que se fazer tudo conforme os padrões da Fifa...Nãoacredito em vexame não. Todos os eventos que a gente se propôsa fazer, a gente sempre fez muito bem. O Pan-Americano foi umamostra do que pode ser feito", completou o atacante campeãomundial em 1994.

TATIANA RAMIL, REUTERS

30 de outubro de 2007 | 15h42

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