Bolívia pede respeito e apoio ao futebol na altitude

País quer impedir que clubes brasileiros consigam vetar a disputa de partidas em locais com mais de 2.500 m

EFE

26 de fevereiro de 2008 | 09h26

A Bolívia pediu na segunda-feira que se respeite a resolução da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que apóia a prática do esporte na altitude, em crítica direta ao pedido de veto dos cinco clubes brasileiros que disputam a Libertadores deste ano. Representados pelo presidente do Flamengo, Márcio Braga, o rubro-negro carioca, Fluminense, São Paulo, Santos e Cruzeiro pedirão ao suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, que proíba a realização de jogos internacionais em cidades acima dos 2.750 metros. O vice-ministro de Esportes da Bolívia, Milton Melgar, declarou à Agência Efe que deverá prevalecer a decisão adotada de forma unânime pelo comitê executivo da CSF no dia 22 de janeiro, em defesa do futebol em altitudes elevadas. Melgar acha que a proposta dos brasileiros não vai prosperar: "Foi demonstrado que jogar em grandes altitudes não é prejudicial para a saúde", enfatizou Melgar ao acusar a Fifa e o Brasil de quererem "discriminar" a Bolívia. Por sua vez, o secretário-geral da Federação Boliviana de Futebol (FBF), Pedro Zambrano, comentou à Agência Efe que confia que o pedido dos clubes brasileiros não dará em nada porque os dez países que integram a CSF, organizadora da Libertadores, expressaram seu apoio "unânime" ao esporte na altitude. Após a eliminação do La Paz para o Atlas mexicano na primeira fase prévia, a Libertadores deste ano tem duas equipes bolivianas: Real Potosí e San José, cujos estádios estão situados a mais de 2.750 metros de altitude. "Como Governo vamos recorrer a todas as instâncias que sejam necessárias para que nosso país não seja discriminado", ressaltou o vice-ministro. Em dezembro, a Fifa decidiu proibir a prática do futebol em estádios situados a mais de 2.750 metros sem um período de adaptação prévio dos jogadores. O presidente boliviano, Evo Morales, advertiu que apelará à ONU e a outros organismos internacionais caso seu pedido de respeito à prática do esporte em grandes altitudes não seja ouvido. O líder, grande fã de futebol, promove há meses uma campanha a favor do esporte em altitudes elevadas e contra a resolução da Fifa de proibir as partidas internacionais a mais de 3.000 metros acima do nível do mar. A entidade já chegou a rebaixar essa proibição para 2.500 metros, após o protesto de alguns países sul-americanos. Morales iniciará esta semana uma viagem por vários países europeus e, durante sua estada na Holanda, se reunirá com o espanhol Gerardo González Movilla, presidente do Sindicato Internacional de Jogadores Profissionais (FIFPro), para seguir recolhendo apoio para sua campanha.

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