KARIM JAAFAR / AFP
KARIM JAAFAR / AFP

Bolsonaro diz ser favorável a Copa do Mundo a cada dois anos, mas deixa decisão com a CBF

'Opinião minha como peladeiro: a Copa do Mundo de dois em dois é bem-vinda, ajuda no aspecto econômico', disse o presidente em visita ao Catar. O projeto tem gerado muito debate nos últimos meses

Felipe Frazão, enviado especial a Dubai, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 15h06

O presidente da República, Jair Bolsonaro, esteve acompanhado do mandatário da Fifa, Gianni Infantino, na visita ao estádio Lusail, no Catar, que será sede da final da Copa do Mundo de 2022, nesta quarta-feira, e falou da intenção da entidade de realizar o Mundial  a cada dois anos em vez de a cada quatro.  Ele  indicou que vai conversar sobre o tema com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

“A CBF é que vai dar o norte de como proceder. Opinião minha como peladeiro: a Copa do Mundo de dois em dois é bem-vinda, ajuda no aspecto econômico. Sou apenas um torcedor, apaixonado por futebol, o que a CBF decidir estou com eles”, disse Bolsonaro. 

O tema tem gerado muito debate nos últimos meses. O principal nome responsável por liderar o projeto é Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal, hoje Diretor de Desenvolvimento de Futebol na Fifa. Ao L’Équipe, o francês admitiu que as propostas trabalhadas até o momento não têm como principal finalidade os fins econômicos, mas sim a melhora da qualidade das partidas e a frequência das competições. 

Proposta de Copa do Mundo a cada dois anos gera debate

Em outubro, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, voltou a defender a redução do intervalo entre um Mundial e outro, durante um encontro em Caracas, na Venezuela. "Nosso dever como Fifa é tornar o futebol verdadeiramente global. Para isso, temos de analisar como melhorar o futebol das seleções e não há competição que se aproxime da Copa do Mundo", declarou Infantino, em entrevista coletiva no Estádio Olímpico da UCV, na capital venezuelana.

Comitê Olímpico Internacional (COI) apelou para que as negociações sobre o tema sejam mantidas e ampliadas. A entidade afirmou estar "muito preocupada" com o impacto que um Mundial bienal possa ter sobre outras modalidades esportivas, assim como no bem estar dos jogadores e no aumento das modalidades masculinas, já que afetaria a "igualdade de gênero".

Também no mês passado, a Associação de Comitês Olímpicos Nacionais (ANOC, na sigla em espanhol), que reúne 205 países reconhecidos no mundo, criticou "a lamentável falta de solidariedade e respeito" da Fifa por outros esportes.

"Os 205 comitês compartilham da preocupação expressa por muitos partidos dentro do movimento esportivo em relação à ameaça de que uma Copa do Mundo a cada dois anos significaria para a sobrevivência de outros esportes que não o futebol", disse a ANOC em uma resolução aprovada no final da assembleia realizada em Creta, na Grécia.

Em setembro, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, se posicionou contra a sugestão. "Pois bem, nós acreditamos que a joia que é a Copa do Mundo deve seu valor a sua pouca frequência. Organizá-la a cada dois anos vai diminuir sua legitimidade e vai infelizmente diluir a própria Copa do Mundo", argumentou Ceferin, na abertura da assembleia geral da Associação Europeia de Clubes (ECA). 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.