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Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Bolsonaro e o futebol

Dirigentes esperam pelo sinal do presidente para retomar os jogos e decidir os Estaduais

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 04h00

O futebol espera sinal verde do Ministério da Saúde para fazer a bola rolar nos estádios brasileiros. De norte a sul do País, o primeiro passo é definir os campeões estaduais. Cada regional tem seu regulamento e peculiaridade. Nenhum conheceu seu vencedor ainda. Há compromissos com patrocinadores, mas todos estão de olho no dinheiro da TV – a Globo parou de pagar cotas depois de fazer adiantamentos para alguns deles.

O presidente Jair Bolsonaro é quem dará a aprovação com seu polegar da mão direita indicado para cima, feito um César. Não seria demais supor que ele próprio aparecesse num desses estádios para saudar os ‘gladiadores’ em campo. Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro tem usado as arenas como termômetro de sua popularidade. Já esteve no Maracanã e Allianz Parque acenando para torcedores e quebrando protocolos de segurança.

Em suas saídas e chegadas do Palácio da Alvorada neste período de pandemia, faz o mesmo ao não cumprir normas para evitar o contato com as pessoas. Então, está mais do que na cara que o presidente não está nem aí.

A CBF e as federações não vão se atrever em retomar as partidas sem o consentimento do novo ministro da Saúde Nelson Teich. Mas ao que se sabe, ele compactua com as ideias de Bolsonaro de organizar o isolamento social sem paralisar setores importantes da economia. O argumento do presidente sempre foi o de mandar todos de volta ao trabalho, exceto as pessoas do grupo de risco, para não paralisar a economia do Brasil. O futebol movimenta 157 mil empregos de forma direta e indiretamente. Sem ele, essa turma está parada, muitos deles sem receber ou recebendo parcialmente seus salários.

Os jogadores, por exemplo, estão todos de férias até o dia 30 deste mês. E vão ter seus vencimentos alterados em função da interrupção dos campeonatos. Sem dinheiro entrando, os clubes vão ajustar suas contas. O próprio governo bancou MP autorizando empresas a mexer em suas folhas de pagamento de modo a assimilar a falta de dinheiro com mais dignidade. A MP autoriza reduzir salários e horas trabalhadas. A primeira parte já foi encaminhada pelos clubes. Ainda não sabe como os atletas vão reduzir horas trabalhadas.

Duas das principais federações estaduais do País, a de São Paulo e a do Rio, se preparam para retomar os jogos. O segundo semestre de maio é o período na mira dos dirigentes. Até lá, espera-se que o Brasil tenha superado seu pico de contaminação e mortes da covid-19 e comece a descer a ladeira da doença. Não há nenhuma certeza disso, e qualquer número atualmente da doença esbarra na falta de testes e na subnotificação de casos de óbitos de brasileiros.

Para essa primeira chamada, é consenso que os estádios estarão de portões fechados. Ou seja, sem torcida. Em São Paulo, e em algumas outras regiões do Brasil, os clássicos já são com torcida única. Na pandemia, as partidas serão sem ninguém. Há a ideia de levar para dentro das arenas pequenos grupos de torcedores, espalhados pelas cadeiras. O mais provável, porém, é que a retomada aconteça sem torcida. As federações Paulista e Carioca preparam uma cartilha médica de conduta para os profissionais do jogo, de atletas a membros da comissão de arbitragem, passando por gandulas e treinadores.

Não haverá cumprimentos nem aglomerações em campo quando o árbitro apitar alguma infração. Os vestiários não serão usados como antes, com todos juntos. Não haverá concentração. As viagens seriam de ônibus. Mais de um por time. Os atletas poderiam chegar de carro próprio de suas casas ao estádio. Até agora nenhum jogador se manifestou sobre a retomada. Estão todos quietos. Aceitaram a redução salarial e as férias, mas nada disseram dos jogos. Estão esperando o sinal.

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