TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

'Bom futebol do Corinthians é incontestável

Técnico celebra boa fase antes de enfrentar o Palmeiras

Entrevista com

Tite

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2015 | 17h01

Tite fala muito! Ao Estado falou por quase uma hora. Durante a entrevista, brincou, sorriu e falou sério sobre Brasil, Europa, passado, futuro e, principalmente, o presente do Corinthians e o clássico com o Palmeiras deste domingo pela semifinal do Campeonato Paulista. “O nosso processo de formação de equipe está mais avançado em relação ao do Palmeiras”, reconheceu. Tite admite que o seu time tem apresentado o melhor futebol do Brasil e o ano sabático na Europa o fez um profissional mais qualificado. Para ele, no entanto, outros treinadores não têm de seguir o seu exemplo.

Qual é a sua expectativa para o clássico com o Palmeiras?

Como a vaga será decidida em 90 minutos, o componente emocional fica muito mais aflorado. Não vamos chegar nas mesmas condições físicas do Palmeiras, mas não digo que eles estão em vantagem. Eu gostaria de ter a semana livre para trabalhar, mas o nosso processo de formação de equipe está mais avançado em relação ao do Palmeiras. Isso é incontestável. Na minha opinião, nem isso nem o aspecto físico vão determinar o resultado.

A última semifinal de Paulista entre Corinthians e Palmeiras foi em 2011. Quais são as suas lembranças daquela partida?

O Pacaembu estava lotado, 90% da torcida era do Palmeiras. O melhor momento era do Palmeiras porque o Luiz Felipe (Scolari) vinha trabalhando a equipe há um ano e meio. O Palmeiras tinha uma equipe ajustada enquanto que o Corinthians estava se remontando. O jogo foi equilibrado, com um pouco mais de posse de bola do Palmeiras. Nos classificamos nos pênaltis e ali fomos nos estruturando para fazer na sequência a campanha que nos deu o título brasileiro.


O Corinthians tem jogadores experientes que transmitem tranquilidade em momentos decisivos. Mas o desgaste físico também é maior nesses atletas. Como equilibrar isso?

A individualidade contribui, mas a maturidade de uma equipe vem no conjunto. Como equipe, temos de passar pelas adversidades juntos, não adianta só pegar experiência isolada. Os jogadores precisam passar por momentos de dificuldades juntos e essa equipe é nova nesse aspecto. O desafio é dosar carga de trabalho e jogos para que o time possa estar na melhor condição física.

O que mudou no Tite depois do ano sabático em 2014?

Sabático é bonito (risos). Li muito e ainda tenho uma porrada de livros que dá para mais dois, três anos. Os meus trabalhos específicos de ações ofensivas melhoraram. Acompanhar os grandes clubes da Europa e saber realmente o que eles fazem me dá uma segurança naquilo que eu faço e no nível de conhecimento que eu tenho. A minha informação tática foi muito mais acionada.

Mais técnicos brasileiros devem ir à Europa estudar, como você fez?

Não recomendo e não sou modelo para ninguém. Não quero ser exemplo, não quero ser nada. Só quero estar em paz comigo mesmo e procurar evoluir dentro dos meus conceitos e da minha formação. Por isso que eu me interesso pelas coisas, procuro ler, analisar vídeos e ver estratégias e movimentos.

Você concorda com o Abel Braga que diz que depois do 7 a 1 para a Alemanha tudo virou culpa dos treinadores no Brasil?

O ser humano tem facilidade para fazer críticas, mas sente dificuldade quando a crítica é voltada a ele. Isso vale para todas as áreas. A formação dos técnicos no Brasil precisa melhorar com cursos no padrão da Uefa. Mas os dirigentes também precisam melhorar. Necessitamos de gente qualificada em todas as áreas. Estruturar os clubes é fundamental, é pré-requisito básico.

Você parece incomodado quando falam que o Corinthians é o melhor time do Brasil. Por quê?

Quando dizem que a equipe é a melhor do Brasil, me incomoda. Mas quando dizem que o Corinthians está apresentando o melhor futebol, isso é verdade. A equipe não está pronta e precisa passar por uma série de aspectos e evoluir. O bom futebol apresentado é incontestável, não temos como fugir disso, mas será uma grande equipe quando conquistar o Mundial, como foi em 2012. Mas sei que repetir uma etapa como aquela é muito difícil.

Você ainda tem a ambição de treinar a seleção brasileira?

Quando é a próxima Copa?

Em 2018, na Rússia.

Então, depois de 2018 eu tenho. Agora, sem demagogia, é preciso dar condições de trabalho ao Dunga. Ele já foi escolhido. Se ele estava no melhor momento e foi merecedor, é o que menos interessa. Tem de dar todo o ciclo a ele. Depois, eu volto para a barca.

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