Bom motivo

Para fissurados em futebol, porém desencantados com o time da CBF, há um motivo para ligar a televisão e assistir ao jogo com a Colômbia, na noite hoje. O apelo poderoso se chama Neymar, astro único da seleção de Dunga. A presença do atacante do Barcelona vale o programa, independentemente do resultado do duelo pela Copa América. A arte dele supera de longe os demais companheiros de equipe; chega a ser constrangedor.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 03h00

 

Neymar segue etapas rotineiras para jogadores da qualidade dele - talvez a mais acelerada foi a transformação em capitão do time. Muito jovem para tanto, embora a trajetória com a amarelinha justifique a precocidade. No mais, amadurece como se espera de um craque, à medida que passa o tempo e acumula experiências. 

A transferência para a Europa ajudou a expô-lo ao mundo de maneira mais acintosa do que ocorria quando defendia o Santos. Isso é óbvio, pelo alcance que têm campeonatos da Espanha e a Champions League. Acontece com ele e com qualquer cabeça de bagre. O Brasileiro ainda é semiclandestino. 

Mas, para quem tem memória curta, por aqui Neymar desfilava dribles, chutes, passes, chapéus, broncas gerais, provocações com a mesma intensidade de agora. Era petulante, autossuficiente e atrevido como já se acostumam a vê-lo torcedores do Barça e plateias gringas. Antes da pretensa evolução contra rivais mais bem estruturados e etc. e tal, havia assumido o papel de referência na seleção, seja sob o comando de Mano Menezes ou na era Felipão. Faltou ao Dunga de 2010 a sensibilidade de levá-lo para a África. Perdeu para sempre a chance de ser o descobridor. Mas isso é passado.

O presente significa perspectiva de recital de arrancadas e peraltices de Neymar. Ainda não perdeu características de moleque, no que têm de alegre e de irritante. Diverte, como se espera sempre do jogo de bola; é fominha, o que contraria o espírito coletivo. 

Neymar é individualista por temperamento, estratégia e necessidade. Falta-lhe na seleção com quem dialogar à altura dele, ao contrário do que ocorre no Barcelona. Lá tem Iniesta, Suárez e Messi, para ficar só em três exemplos. Por aqui, se contenta com Willian, Fred, Fernandinho, Tardelli, como na vitória por 2 a 1 de virada sobre o Peru. 

Não, não são boleiros toscos. Esses moços jogam direitinho. No entanto, ficam aquém do astro da companhia e de tantos outros que passaram pela seleção. E nisso se instala a interrogação. O Brasil virou um time comum com um craque. Claro, melhor um do que nenhum, como a maioria das equipes nacionais do mundo todo. O interesse da gente precisa centrar-se no Brasil; problema dos estrangeiros é deles. 

Nos acostumamos com abundância de foras de série, ao longo da história, e fica difícil aceitarmos a entressafra, com Neymar e meia dúzia de gatos pingados. Não sei se admiro os que se contentam com pouco e festejam “bons resultados”, mesmo que sejam 1 a 0 em cadeia industrial, ou se lamento. Tendo a ficar com a segunda alternativa.

Bem, não custa ver o que acontecerá contra os colombianos. Na pior das hipóteses, tem Neymar na tevê.

Bola murcha. Os clubes, com respaldo da CBF e da bancada da bola, mantêm luta intensa para tornar inócuo a Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol. O projeto que despontou como marco para moralizar o esporte pode esvaziar-se pela ação predadora dos que querem apenas manter privilégios, sem contrapartidas. Enfim, nada muito diferente do que se vê na política. Se alguém de bom senso tem dúvidas a respeito da seriedade da MP, basta lembrar-lhe que Eurico Miranda, presidente do Vasco, é contra. Dispensam-se outros argumentos favoráveis...

Marcelo no pedaço. O Palmeiras apresentou Marcelo Oliveira como novo técnico. O bicampeão brasileiro elogiou o elenco, e não era pra menos, mas tem consciência de que lutará contra tempo e impaciência. Não alegue adiante que não sabia.


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